Os intelectuais guineenses e a deriva autoritária

06/09/2025 em Opinião

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Os intelectuais guineenses e a deriva autoritária

O termo intelectual é  repleto de diversas definições, asserções em função de contexto, tempo e culturas. Geralmente, o intelectual é considerado aquela pessoa possuidora de conhecimentos numa ou diversas áreas que coloca esses conhecimentos para questionar os problemas da ordem social, política, cultural, etc, e propõe pistas de soluções a esses problemas.

Homens e mulheres que tiveram oportunidade e privilégio de adquirir conhecimentos em diversas áreas académicas e profissionais com o intuito de traduzir esses conhecimentos  ao serviço do bem-estar e da transformação positiva da sociedade são merecedores do  termo intelectual, na nossa asserção.

Contrariamente à concepção elitista do intelectual, nós somos apologistas da corrente que defende a submersão do intelectual no rio da realidade concreta do seu meio, como martelava o Frantz Fanon. O intelectual é um interprete fiel das profundas aspirações da sociedade. Postura contrária a esta, é tudo menos ser intelectual!

O próprio Amílcar Cabral que numa das suas palavras de ordem, dizia: os que sabem devem ensinar os que não sabem". Ele não disse: " Os que sabem devem enganar ou manipular os que não sabem".

A realidade da nossa terra nos dias que correm confirma a inversão completa da vocação do intelectual em nome de luta pela sobrevivência e é possível dividir esta categoria em dois sub grupos:

1 - Intelectuais que sabem a função do intelectual e decidiram traí-la por agenda de conveniência pessoal ou de grupo. São diplomados e portadores de conhecimentos, mas sucumbiram ao imediatismo e são funcionalmente produtores e editores de narrativas ao serviço do autoritarismo, da ditadura. Alguns disfarçados, outros assumidos, todos são intelectuais papagaios com camisolas de claqueiros do regime autoritário ou de interesses partidários ou económicos. São profissionais de manipulação!

2- Homens e mulheres que possuem conhecimentos diversos e não têm consciência da sua função de formação de consciência crítica na sociedade. Comportam-se em meros alfabetizados sem compromisso com nada, com ninguém, senão com sua barriga só ou com seu núcleo restrito.

A primeira subcategoria está consciente da sua função de intelectual, está ciente que intelectuais são imprescindíveis na formação de massas conscientes e autónomas, mas preferem aliar-se à elite dominante em troca de gorjetas, e em certos momentos assumem se porta vozes da mesma.

Ao  invés de colocar os seus conhecimentos ao serviço da sociedade, tornaram-se  especialistas de desinformação e manipulação ao serviço do autoritarismo para obter lucros pessoais.

Esses intelectuais vendidos ou claqueiros de circunstância alimentam narrativas que sustentam a deriva autoritária, a ditadura. São oscilantes. Mudam em função do clima, da época, do vento e das possibilidades de tirar proveitos.

A segunda subcategoria é vulnerável pela  ausência de consciência da sua responsabilidade inerente à função do intelectual de disseminar conhecimentos para o benefício da sociedade. Essa gente em concreto precisa de se inculcar à consciência de responsabilidade cívica,  política e patriótica.

Quem deve inculcar é disseminar essa consciência?

Todos aqueles guineenses, mulheres e homens que selaram o pacto com o bem comum, com a soberania popular e com a Nação devem assumir o compromisso de sair da sua zona de conforto e seguir a travessia obrigatória do deserto. Trata-se de um compromisso patriótico inadiável de impedir que o abismo instalado não retire ao povo o seu bem mais precioso: sua terra.

Esses guineenses, sem demora e sem cálculos mesquinhos, devem ter a capacidade de fazer pontes, cimentar larga convergência patriótica para resgatar a República, derrotar o projeto do autoritarismo imposto e seus apoiantes com capotes de Intelectuais traidores da pátria!

A República não pode sucumbir!

Foto retomada: Crianças a caminho de escola!

Lona

Por CNEWS

06/09/2025