EMPADA: Vendedoras pedem mercado único e apoio do Governo

20/02/2026 em Sociedade

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EMPADA: Vendedoras pedem mercado único e apoio do Governo

As mulheres vendedoras das feiras de Empada exigem a intervenção direta das autoridades para a unificação dos mercados e melhoria das condições básicas.

Em entrevistas concedidas à reportagem da CNEWS nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, as mulheres utentes dos mercados denunciaram a precariedade de trabalhar em dois espaços distintos, a feira improvisada de Tambarina e o mercado construído de raiz na praça central e cobraram atenção especial do Executivo guineense.

“Vender no chão é arriscado, a vida humana está em causa. Qualquer pessoa pode apanhar doenças”, afirmou N’Binté Cissé, vendedora há mais de dez anos.

Segundo as vendedoras, Tambarina, mesmo sem estrutura, atraí a maior parte dos consumidores, enquanto o edifício da praça permanece esvaziado. Essa divisão, dizem, traz prejuízos concretos.

“Aqui na praça há pouca gente, faltam clientes e a gente perde poder de compra”, contou Fatu Injai, que depende da feira para pagar a escola dos filhos.

As mulheres reforçam que são elas quem sustenta as famílias, já que muitos homens estão sem trabalho e as despesas da casa acabam recaindo quase sempre sobre as mães.

O retrato do cotidiano é severo. Em Tambarina não existe casa de banho, faltam condições mínimas de higiene, não há espaço adequado para o lixo e, ainda assim, as utentes pagam taxa diária.

“Trabalhamos no improviso, pagamos todos os dias e ainda somos esquecidas”, desabafou outra comerciante.

As vendedoras apelam ao comitê de Estado e ao Governo da Guiné-Bissau para regularizar a situação e unificar o mercado num espaço que ofereça segurança e dignidade. Para elas, o reconhecimento não é favor.

“Somos nós que pagamos escola, mercado, farmácia. Merecemos atenção especial do Executivo”, disseram ao Capital News.

Empada segue dividida entre um mercado de cimento quase vazio e uma feira de barracas superlotada. As mulheres exigem que essa contradição termine antes que a saúde pública e o sustento de centenas de famílias sejam ainda mais penalizados.

Por Alfucene Dabó, CNEWS/Empada

Por CNEWS

20/02/2026