Transição ou Queda Livre: Quando a Esperança da Juventude se Dissolve

05/04/2026 em Opinião

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Transição ou Queda Livre: Quando a Esperança da Juventude se Dissolve

Entre os chamados “casos isolados” de violência, debates superficiais sobre sexualidade, a crescente falta de educação cívica, a estagnação persistente do país e o crescente número de traições, "Um Judas em cada esquina" surge uma pergunta inevitável: estará a juventude realmente preparada para conduzir o futuro? A resposta, ainda que incômoda, parece ser negativa. Não apenas despreparada, mas distante de compreender o peso das responsabilidades que ambiciona carregar.

Há uma razão para que, ao longo da vida, se suba degrau por degrau.

 "Gossi ninguim kata subi di escada, ma di paraquedas"

A escada não é apenas um símbolo de progresso, mas também de prudência. Cada passo permite aprender, cair com menos impacto e, sobretudo, ganhar equilíbrio. No entanto, o que se observa hoje é uma corrida desenfreada rumo ao topo, sem qualquer preocupação com a descida. E descer, inevitavelmente, faz parte do percurso. O problema não é subir rápido, mas subir vazio sem valores, sem estrutura, sem consciência das consequências.

Sociologicamente, esta situação reflete uma ruptura perigosa entre gerações e referências. A ausência de modelos consistentes, aliada à normalização da impunidade e à valorização do imediatismo, cria um terreno fértil para a formação de uma juventude ansiosa por protagonismo, mas carente de preparação. O capital simbólico  aquele que se constrói com ética, conhecimento e experiência  tem sido substituído por uma lógica de visibilidade instantânea e poder superficial. Assim, forma-se uma geração que fala alto, mas escuta pouco; que deseja liderar, mas rejeita aprender; que critica o sistema, mas rapidamente reproduz os seus vícios.

No meio deste cenário, a esperança vai se tornando silenciosa. Não desaparece de forma abrupta, mas esvai-se lentamente, à medida que se percebe que o futuro pode estar a ser construído sobre bases frágeis. Ainda assim, não está tudo perdido.

A juventude continua a ser, por natureza, um espaço de transformação. Mas, para que essa transformação seja real e não apenas ilusória, será preciso desacelerar, reconstruir valores e resgatar o sentido de responsabilidade coletiva. Caso contrário, o que se chama de transição pode não passar de uma queda livre e, quando se atinge o chão, já não há tempo para aprender a subir.

Por: Lino Mané 

Por CNEWS

05/04/2026