Liga condena ataques armados no Mali

28/04/2026 em Segurança

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Liga condena ataques armados no Mali

A  Liga Guineense dos Direitos Humanos condenou com firmeza a recente vaga de ataques terroristas no Mali, que vitimou inúmeras pessoas, incluindo o Ministro da Defesa. A posição foi expressa pelo Presidente da Liga, durante a abertura da Conferência sobre a Prevenção do Radicalismo e do Extremismo Violento na Guiné-Bissau, realizada esta terça-feira (28.4) em Bissau.

"Não são apenas números. São vidas humanas. São famílias destruídas. São comunidades mergulhadas na dor", declarou. Em nome da organização, manifestou "profunda solidariedade ao povo maliano e às famílias das vítimas”.

Apesar de reconhecer a tradição de tolerância étnica e religiosa na Guiné-Bissau, o responsável alertou para desafios internos que "não podem ser ignorados". Apontou a instabilidade político-governativa, a proliferação de discursos de ódio e a crise de confiança entre cidadãos e instituições como fatores que "fragilizam a coesão social e podem abrir espaço a dinâmicas de radicalização".

"Quando a confiança se perde, instala-se a incerteza. Quando a esperança vacila, abre-se espaço para a divisão", frisou. Defendeu que "o diálogo não é uma opção, é uma necessidade nacional" e que "a Guiné-Bissau precisa de pontes, não de muros".

A conferência marca o encerramento do Projeto Observatório da Paz Nô Cudji Paz, que nos últimos quatro anos elaborou o Plano Estratégico de Prevenção do Radicalismo e do Extremismo Violento. O plano adota uma abordagem holística, integrando dimensões sociais, económicas, educativas e institucionais.

"A verdadeira força do Plano reside na sua apropriação efetiva pelas autoridades nacionais e na sua implementação concreta", sublinhou. Para o presidente da Liga, "sem apropriação nacional, não há sustentabilidade. Sem liderança institucional, não há coerência. Sem implementação efetiva, não há resultados".

O dirigente classificou a situação na África Ocidental e no Sahel como "profundamente preocupante". Citou dados que indicam que, em 2025, cerca de 23.968 pessoas perderam a vida em ataques ligados a grupos terroristas em África, um aumento de 24% e o nível mais elevado já registado no continente.

Defendeu uma "abordagem integrada" para a prevenção, que vá além das respostas securitárias e se centre no "reforço das instituições, na justiça social, nos direitos humanos e nas oportunidades para a juventude".

Por CNEWS

28/04/2026