BID: Energias renováveis contempladas com 128,6 milhões de dólares

17/06/2026 em Economia

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BID: Energias renováveis contempladas com 128,6 milhões de dólares

O Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO dispõe de 639,5 milhões de dólares na sua carteira verde, destinada ao setor da energia, que responde por 24% do portefólio global. Deste montante, 128,6 milhões são destinados às energias renováveis nos Estados-Membros, cuja população é estimada em mais de 400 milhões de pessoas.

A Chefe de Divisão das Infraestruturas do Banco, Maimouna Sidibé, colocou os Deputados Comunitários ao corrente dos mecanismos de financiamento às energias renováveis no meio rural, no dia três da Reunião da Comissão Mista de Energia e Minas do Parlamento da CEDEAO, que decorre em Dakar.

Como parte desta convenção, dois projetos de ação foram financiados: 100 e 750 comunidades rurais no Benim, na Serra Leoa e na Nigéria, com uma central solar fotovoltaica de 50 MW cada; mil bombas de água na Costa do Marfim e três microcentrais hídricas na República da Guiné.

Para adaptar os projetos rurais aos mecanismos bancários e de financiamento, o Projeto de Eletrificação Rural na Guiné-Bissau foi contemplado com cerca de 37,7 milhões USD; o Projeto Água e Saneamento no Senegal, com cerca de 51,7 milhões; a Construção do Centro Hidroelétrico de Tinkisso, na Guiné, com 60 milhões; e o Centro de Eficiência Energética da CEDEAO, com 75 milhões.

De notar que o BIDC financia projetos e PME através da janela do setor comercial. O financiamento da janela não comercial é destinado às infraestruturas públicas e a projetos sociais prioritários: educação, saúde, água e integração regional.

No horizonte 2030, o objetivo é apoiar o setor privado, otimizar os recursos e processos e promover a inovação para assegurar um crescimento económico inclusivo e sustentável.

Maimouna Sidibé detalhou aos parlamentares os desafios de financiamento dos projetos: “estruturação financeira e capacidade de pagamento fracas, modelos económicos frágeis, custos de transação elevados e tarifas, às vezes, inadequadas”.

“Receitas imprevisíveis, acesso a garantias e fundos climáticos limitados, riscos elevados, morosidade, falta de dados e estudos incompletos”.

Entretanto, as oportunidades existem: “recursos naturais ainda por explorar, potencial solar, hídrico e de biomassa abundante, novos financiamentos climáticos, baixo custo tecnológico, quadro regional favorável, crescente interesse do setor privado e uso produtivo do meio rural”.

Os parlamentares viram também modelos de financiamento inovadores que impactam fortemente as energias renováveis, numa comunicação do Diretor-Geral da Agência Senegalesa do setor, que assegurou que a atual crise energética mundial impõe mudança de método: financiar mais barato, implantar rápido e assegurar a rede.

Para Diouma Kobor, as importações e a volatilidade do combustível expuseram o custo de produção; a urbanização, industrialização e eletrificação dispararam a procura; e introduzir renováveis requer armazenar, despachar e reforçar a rede.

A transição deve apoiar os serviços essenciais e a implementação da Zona de Comércio Livre, ZCLCA/ZLECAF, requer infraestruturas de transporte, comunicação e energia.

Aos Parlamentares, Kobor recomendou a criação de um fundo regional para as infraestruturas energéticas inovadoras e o lançamento de um programa piloto, que pode fazer da CEDEAO o primeiro espaço africano a desenvolver corredores energéticos integrados e inteligentes. O exemplo é o corredor Senegal-Mali.

Uma mesa-redonda que reuniu o Banco de Investimento e Desenvolvimento da CEDEAO, o Banco Mundial, a Agência de Eletrificação Rural do Senegal, o Conselho dos Empregadores das Energias Renováveis e o Banco Nacional para o Desenvolvimento Económico explorou os mecanismos de mobilização dos investimentos para a eletrificação rural no espaço CEDEAO.

Destacou-se que a mobilização de investimentos só pode ter êxito através de uma abordagem regional concertada, da harmonização do quadro regulamentar e de uma cooperação reforçada entre o Estado, instituições financeiras, parceiros técnicos e o setor privado.

Por: Amatidjane Candé| Serviço Especial CNEWS 

Por CNEWS

17/06/2026