Rutura entre Sonko e Diomaye escancara disputa de poder

28/06/2026 em Internacional

Compartilhe:
Rutura entre Sonko e Diomaye escancara disputa de poder

O Governo do Senegal entrou em rota de colisão com a própria base aliada. Na véspera da votação da revisão constitucional, marcada para 29 de junho, o Executivo de Bassirou Diomaye Faye sofreu um revés político e viu seu projeto ser desfigurado pela maioria do partido Pastef na Assembleia Nacional.

O ponto de rutura foi a Comissão de Direito. Todas as quatro emendas apresentadas pelo Ministro da Justiça, Moussa Sarr, foram rejeitadas pelos deputados do Pastef. O grupo, liderado por Ousmane Sonko, presidente da Assembleia desde 26 de maio, impôs sua vontade e deu início ao processo de emenda sem atender aos apelos do Palácio.

“O projeto foi sequestrado"

Visivelmente acuada, a Coligação Presidencial Diomaye foi à imprensa na este domingo (28.6) para denunciar o que chamou de “sequestro” do texto original enviado pelo Chefe de Estado.

“O projeto de lei do Presidente Diomaye, apresentado à Assembleia Nacional, foi sequestrado pelos deputados do PASTEF”, disparou Aminata "Mimi" Touré, supervisora-geral da coligação. Segundo ela, as alterações “distorcem o espírito da reforma institucional desejada pelo Chefe de Estado”.

A acusação escancara a fissura entre o Presidente e a dupla que o levou ao poder: Sonko-Diomaye. O que era para ser uma reforma conjunta tornou-se uma disputa aberta pelo comando do processo.

Governo pede trégua, Parlamento acelera

Derrotado na comissão, o Executivo agora apela para a “reflexão aprofundada e ampla consulta nacional”, envolvendo oposição e sociedade civil. Mas a Assembleia Nacional parece surda. Com sessão plenária marcada para esta segunda-feira, 29 de junho, os deputados do Pastef sinalizam que aprovarão o texto nos termos da maioria.

Para o Governo, a reforma “não pode ser realizada sem reflexão”. Para o Parlamento, o tempo de negociar já passou.

O  Senegal mergulha em mais uma crise institucional. O pomo da discórdia é o mesmo de sempre – o controle da Constituição.

Por CNEWS

28/06/2026