Estudo aponta colapso de ensino em Cacheu

18/07/2026 em Educação

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Estudo aponta colapso de ensino em Cacheu

Um estudo de campo realizado em Cacheu pelos estudantes do Instituto Superior El-Shadai de 07 a 11 de maio 2026, mostra que o sistema educativo guineense está a falhar nas bases. Gravidez precoce, trabalho infantil na pesca, escolas sem casas de banho adequadas, água potável e bibliotecas, além de greves constantes e um currículo que ignora a realidade local, foram apontados como principais causas do abandono escolar. Para os pesquisadores, sem políticas públicas que respeitem a diversidade cultural e histórica da região, a educação continua a reproduzir desigualdades em vez de transformá-las.

A investigação foi conduzida durante a jornada académica “Pelos caminhos de Cacheu, descobrindo nossas raízes”, promovida pelo Instituto Superior El-Shadai. Entrevistaram-se pais, alunos do ensino primário ao complementar, professores, diretores de escolas públicas e privadas e  organizações da sociedade civil.

O retrato que emerge é de um sistema que sobrevive, mas não garante o direito de aprender.

Abandono escolar tem rosto e causa 

De acordo com o estudo, quatro fatores empurram adolescentes para fora da escola em Cacheu: gravidez precoce, necessidade de trabalhar na pesca artesanal, distância até às escolas e falta de professores. A pesca, principal fonte de sustento das famílias, compete diretamente com o horário escolar. Já a gravidez precoce, segundo os entrevistados, retira jovens do direito à educação e exige campanhas urgentes de conscientização.

Infraestruturas que humilham

O relatório aponta que tanto escolas públicas quanto privadas carecem de condições mínimas. Faltam edifícios adaptados a pessoas com necessidades especiais, casas de banho dignas, água potável e bibliotecas equipadas. “Sem isso, não há como falar em qualidade de ensino e aprendizagem”, concluem os autores.

Currículo que não dialoga com Cacheu

Um dos achados mais críticos diz respeito ao currículo. Apesar de algumas escolas já lecionarem conteúdos endógenos sobre a história de Cacheu, o currículo básico comum nacional não reflete a diversidade sociocultural, histórica e económica da região. Para os pesquisadores [estudantes], isso mantém um “processo de colonização mental” e impede que a nova geração compreenda o papel de Cacheu na história da Guiné-Bissau. A recomendação é clara: ajustar o currículo à realidade regional, do básico ao nível local.

Professores desmotivados e sem apoio

O engajamento docente foi outro ponto de rutura. Greves constantes no setor foram citadas como grande entrave. O estudo defende a alocação de verbas específicas para a valorização da classe, como caminho para estabilizar o calendário escolar.

Participação que ainda não decide

Embora exista alguma democratização na vida escolar, a participação social na conceção do projeto político-pedagógico ainda é limitada. O estudo defende que governo, direção regional, pais e alunos precisam ser envolvidos de fato nas grandes decisões da escola.

Conclusão e recomendações do estudo

Os pesquisadores concluem que só uma ação sinérgica pode reverter o quadro. Recomendam ao Governo da Guiné-Bissau apoiar iniciativas de investigação das universidades públicas e privadas. Ao Instituto Superior El-Shadai, pedem que continue promovendo pesquisa e extensão. E aos estudantes, que acreditem no seu potencial investigativo.

Para a equipa do estudo, políticas educativas nacionais precisam espelhar o contexto guineense e respeitar as especificidades de cada região. Caso contrário, alertam, Cacheu continuará a narrar a sua história nas pedras, enquanto a escola falha em contá-la dentro da sala de aula.

Por: Mamandin Indjai | CNEWS

Por CNEWS

18/07/2026