DSP:”Não posso virar costas ao meu povo”

24/07/2026 em Política

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DSP:”Não posso virar costas ao meu povo”

 O presidente eleito do Parlamento da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, desembarcou na madrugada desta sexta-feira  (24/7) no aeroporto de Lisboa após sair da prisão preventiva em Bissau. Recebido em euforia por dezenas de guineenses com bandeiras e cânticos, o líder do PAIGC prometeu regressar ao país para “continuar o combate”, apesar de ter a atividade política suspensa por decisão judicial.

Questionado à saída do lounge VIP se tencionava voltar à Guiné-Bissau, foi taxativo, segundo a Agência Lusa: “absolutamente”.

“Eu sou guineense e continuarei, assim que possível, este combate. Eu não posso virar costas ao meu povo”, declarou.

Simões Pereira disse sentir uma “sensação de liberdade” e mostrou-se “agradecido pela população que vem acolher”. Sobre as condições da estadia em Portugal, afirmou não as conhecer, “porque quem trata de tudo são as autoridades portuguesas”.

Evitou comentar a crise interna. “Alguém trabalhou, as autoridades trabalharam e permitiram que estivesse em Portugal. Eu quero respeitar esse esforço que foi feito. Assim que conhecer todos os contornos”, falará, afirmou. Sobre a saúde, limitou-se a dizer que “se sente bem”.

Simões Pereira chegou por volta das 01:00, um dia depois de deixar a cadeia por ordem do juiz de Instrução Criminal, Mamadú Embaló.

O magistrado autorizou que o líder do PAIGC se ausente da Guiné-Bissau durante noventa dias para tratamento médico em Portugal. A decisão respondeu a um requerimento da defesa e teve parecer favorável da Promotoria de Justiça Militar, com base em “razões humanitárias e legais” e num atestado do Domiciano Bernardo Nacocam Mango, do Hospital Militar Principal de Bissau.

De acordo com o despacho, a que a “a prisão preventiva fica suspensa pelo período de três meses, ao abrigo do artigo 164º do Código de Processo Penal” guineense. O documento impõe que “o suspeito está sujeito à obrigação de abster-se de desenvolver qualquer atividade político-partidária durante a vigência da suspensão”. Findo o prazo, a situação será reapreciada pelo tribunal.

O relatório do Hospital Militar de Bissau concluiu que o dirigente precisava de ser observado num centro médico especializado em Portugal. Simões Pereira viajou acompanhado da esposa e do irmão, o médico Camilo Simões Pereira.

Simões Pereira estava em prisão preventiva desde 10 de julho. É acusado pela justiça militar de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado ocorrida em novembro de 2025. A Guiné-Bissau foi palco de um golpe nas vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais de novembro de 2025, que tinham decorrido sem incidentes.

Em comunicado, o Governo português confirmou que vai acolher opositor “por razões médicas e humanitárias”, a pedido dos familiares, “depois da libertação hoje ocorrida”, divulgou o Ministério dos Negócios Estrangeiros à Lusa.

“Reconhecendo o gesto humanitário, continuaremos a trabalhar com empenho e recato, pelas vias diplomáticas, no quadro da CPLP e em cooperação com a CEDEAO e União Africana, em prol do regresso das instituições da Guiné-Bissau à normalidade constitucional e democrática”, sublinhou a diplomacia portuguesa.

Fonte: LUSA

Por CNEWS

24/07/2026