Mamandin Indjai: "Defender a pátria hoje também é produzir"

29/07/2026 em Sociedade

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Mamandin Indjai: "Defender a pátria hoje também é produzir"

A Escola Técnica do Sul entregou hoje, 29/7, em Buba, os primeiros certificados a militares formados em agricultura. A cerimônia marca o início de uma parceria com o Comando Militar da Zona Sul que coloca a produção de alimentos no centro da doutrina de defesa.

O proprietário da Escola Técnica do Sul, Mamandin Indjai, defendeu que formar um soldado apenas para a guarda já não responde aos desafios atuais do país.

“Formar um soldado para defender a pátria já não basta. Hoje, defender também é produzir”, afirmou Indjai, destacando ainda: “Não é apenas uma cerimônia de certificados. É uma declaração de visão. É a prova de que organização e reforma começam na estrutura.”

Para o proprietário da escola, décadas de debate sobre reforma militar ficaram presas a quartel, armamento e efetivo, sem atacar a base da autonomia das forças: logística e alimentação.

“O Comando da Zona Sul teve a coragem que faltava: tirar o militar do ciclo exclusivo de guarda e patrulha e colocá-lo no ciclo de plantar, colher, gerir e escoar. Isto sim é organização. Uma força que sabe produzir não vive refém do orçamento. Ela cria resiliência. E em tempos de crise climática e preços instáveis, resiliência é segurança nacional”, disse.

Indjai destacou que a Zona Sul possui terra fértil, água e mão de obra, e que faltava disciplina e coordenação para transformar esse potencial em alimento. Com a formação em técnicas agrícolas, irrigação, agroprocessamento e gestão de cooperativas, o projeto mira três ganhos imediatos: abastecer casernas e comunidades com hortas, granjas e campos demonstrativos; levar extensão rural às tabancas por meio dos militares diplomados; e garantir ofício aos soldados ao licenciá-los.

“Ter militares na produção não é militarizar o campo. É profissionalizar o campo com os valores do quartel: disciplina, pontualidade, trabalho em equipe e missão cumprida”, sublinhou.

O ponto mais celebrado no discurso foi o impacto na relação entre civis e militares. Segundo Indjai, quando um instrutor civil ensina adubação a um sargento e este repassa rotação de culturas a uma associação de agricultores, cai a desconfiança.

“O cidadão passa a ver o militar não só com arma, mas com enxada e caderno. O militar passa a ver o civil não como ‘população’, mas como parceiro de missão: alimentar a nação. Essa relação civil-militar é o nosso melhor antídoto. Nas cheias, na seca, na carestia: quem trabalha junto na paz, responde junto na emergência.

Para que a iniciativa não fique no discurso, Indjai listou três compromissos: transformar a Escola Técnica do Sul em polo nacional de formação agromilitar, com novos cursos em pecuária, mecanização e agroindústria; abrir áreas das unidades militares para campos-escola produtivos, com gestão conjunta entre comando e técnicos civis; assegurar escoamento por meio de compras públicas, feiras e contratos com escolas e hospitais.

O proprietário da escola reforçou a ideia de que o diploma não retira efetivo, soma capacidade.

“Diplomado em agricultura não é ‘militar a menos’. É ‘militar a mais’. É o militar que defende com o fuzil quando é preciso e defende com a produção todos os dias. Isto sim é reforçar a presença militar onde o país mais precisa: no prato do povo”, concluiu.

Por CNEWS

29/07/2026