Estupidez partidária: O verdadeiro cancro da Guiné Bissau

29/07/2026 em Política

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Estupidez partidária: O verdadeiro cancro da Guiné Bissau

É na crise que o silêncio pesa mais que qualquer pronunciamento. É na crise que a fuga, o drible e o papo furado viram veneno. E é justamente aí que a política na Guiné-Bissau falha, de forma repetida e descarada.

Ser político não pode ser fruto de convivência, de compadrio, nem sorteio aleatório entre rostos conhecidos. Política, acima de tudo, é ciência. É estudo, é método, é responsabilidade pública. Mas, independentemente da técnica, existe um ingrediente que não se aprende em livro: convicção. Convicção pela causa comum.

E é dessa convicção que estamos órfãos.

O que temos hoje são bons gestores de pastas e exímios cobardes na hora de enfrentar as barreiras à democracia. Dominam a arte de dividir ministérios, negociar tachos, proteger aliados e calar quando o povo precisa de orientação. Na primeira turbulência institucional, desaparecem. Quando a Constituição é pisada, fazem de conta que não viram. Quando a fome, a insegurança e o desemprego gritam, respondem com notas técnicas que ninguém lê e entrevistas que não dizem nada.

Isso não é política. Isso é estupidez partidária.

E o pior: esse tipo de político é mais perigoso que o adversário declarado. Porque o adversário assume de que lado está. O oportunista de plantão finge estar em todos os lados, até o vento mudar. São eles que esvaziam os partidos, que transformam siglas em máquinas de emprego e não em escolas de cidadania.

Onde estão os partidos? Onde estão os políticos com coluna vertebral?

Não os vejo nas ruas quando os direitos são violados. Não os ouço quando a juventude perde o futuro. Não os sinto quando as instituições são sequestradas.

Decerto, a sociedade civil também está fragmentada. Sofre de protagonismos, de dependências e de cansaço. Mas, mesmo fragmentada, a maior parte das organizações da sociedade civil continua a fazer o que os políticos se recusam a fazer: lutar pelos direitos humanos. Denunciar. Acolher. Educar. Isso sim é decência. Isso sim é serviço público.

A Guiné-Bissau não precisa de mais comentadores de crise. Precisa de políticos que assumam a crise como responsabilidade sua. Que falem claro, que tomem posição, que paguem o custo de defender a democracia mesmo quando é impopular dentro do próprio partido.

Chega. É tempo de combater esse modelo. É tempo de exigir políticos, não mercadores de cargos. É tempo de lembrar que governar e representar é, antes de tudo, estar presente quando dói.

Por: Mamandin Indjai, Professor, Jornalista, Administrativista, Diplomado em Educação para a Paz e Cidadania

Por CNEWS

29/07/2026