UNTG-CS: "Corruptos respeitados, trabalhadores humilhados"

03/08/2026 em Sociedade

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UNTG-CS: "Corruptos respeitados, trabalhadores humilhados"

Em mensagem alusiva ao Dia dos Trabalhadores Guineenses, o Secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Central Sindical (UNTG-CS), Júlio António Mendonça, fez neste domingo um balanço "negativo" da condição da classe trabalhadora 70 anos depois do massacre de Pindjiguiti, ocorrido a 3 de agosto de 1959.

Para o líder sindical, a esperança depositada após a independência "caiu por terra".

"Apesar que a luta dos marinheiros surtiu efeito nos primeiros anos, porque contribuiu no início da luta armada de libertação, nenhum governo correspondeu com as expetativas dos trabalhadores até hoje", lê -se no texto publicado pelo secretariado da comunicação do centram sindical.

Mendonça denunciou que o sofrimento dos trabalhadores aumentou. Segundo ele, "não há salário digno que corresponde com as necessidades da classe trabalhadora guineense e não só". O dirigente disse ainda que "alguns trabalham e não recebem nem o mínimo de salário, quanto mais os subsídios" e criticou a ausência de reajuste salarial por parte do governo, mesmo após o aumento do custo de vida e o reajuste de 2018.

A crítica mais dura foi dirigida à decisão de manter a Função Pública a trabalhar nesta segunda-feira, 3 de agosto. O sindicalista citou o novo Código do Trabalho, Lei n° 07/2022 de 18 de Julho, e lembrou que o artigo 141, n° 02, considera a data "feriado obrigatório".

"Juridicamente um decreto não está acima da lei. Mas a finalidade deste decreto é para impedir a manifestação dos trabalhadores para mostrarem os seus descontentamentos, e não só, como também de acabar com o sindicalismo na Guiné-Bissau", declarou.

Na mensagem, Júlio Mendonça acusou o Executivo de ser o único a "violar os direitos dos trabalhadores, impedir as greves, intimidar, ameaçar, perseguir, bloquear os salários dos trabalhadores", práticas que, segundo ele, "não existe em nenhuma lei".

"É preferível o regime colonial"

Em trecho, o Secretário-geral comparou a situação atual com o período colonial. "É preferível o regime colonial, porque pagavam melhor, mesmo batiam nos trabalhadores, mas é melhor do que a situação dos trabalhadores atualmente", disse.

Para Mendonça, o país vive uma "inversão de valores": "os corruptos são os mais respeitados na nossa sociedade, enquanto a pobre classe trabalhadora é a menos respeitada, devido à sua extrema pobreza e ao facto de não haver justiça no país".

Apesar do cenário, o líder da UNTG-CS apelou aos trabalhadores para "continuarem a acreditar no desenvolvimento do país, e não escolher a emigração como a solução, mas sim, trabalhar para o bem-estar da Guiné-Bissau".

“Solução não é perseguir os sindicatos, os trabalhadores, e demais organizações defensores dos direitos humanos, mas sim, cumprir com as leis, como forma de mudar o paradigma da governação para o bem do país", disse.

Por CNEWS

03/08/2026