Docente critica “universidades informais” que produzem aplausos sem pensamento

13/08/2026 em Sociedade

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Docente critica “universidades informais” que produzem aplausos sem pensamento

O docente e ativista Suleimane Indjai denunciou hoje (13.8) o modelo atual dos campos de férias e conferências para jovens no país. Segundo ele, esses espaços deixaram de ser locais de formação crítica para se tornarem excursões institucionais onde a juventude é levada para ouvir o que não escolheu discutir. Para o ativista, sem diagnóstico da realidade, participação real e prestação de contas, os programas continuam a fabricar promessas vazias enquanto os problemas que esmagam os jovens persistem.

Em texto consultado pelo Jornal Capital News, Indjai afirma que chamar de “universidades informais” encontros que apenas geram aplausos é um equívoco.

“Nenhuma universidade merece esse nome quando produz aplausos sem pensamento crítico e compromissos sem consequências”, declarou.

O docente aponta que, entre mentores, promotores, dirigentes e observadores, todos acabam retirando benefícios indiretos dos eventos.

“Quem deve sair transformado, porém, é o jovem, não o protocolo”, defendeu.

Para Indjai, o problema central não é a ausência de temas, mas a distância entre o que é escolhido para debate e o que realmente pesa na vida da juventude. Falar de liderança, empreendedorismo, cidadania ou futuro, diz, é insuficiente quando não se pergunta por que o desemprego, a exclusão, a pobreza e a falta de oportunidades continuam.

A primeira mudança, segundo ele, deve ser metodológica. Antes de elaborar programas é preciso diagnosticar a realidade, identificar causas e hierarquizar problemas pela urgência e pelo impacto social. “Um campo de férias que não começa pelo diagnóstico corre o risco de produzir discursos bonitos sobre problemas que continuam intocados”, alertou.

O ativista exige uma postura diferente dos dirigentes. A presença deles, afirma, não pode ser ornamental. Participar deve significar escutar, responder, assumir responsabilidades e aceitar ser confrontado pelos jovens.

Indjai criticou ainda a fórmula política baseada em frases genéricas. “‘Façam isto e aquilo, que eu farei isso’ não pode continuar a funcionar como fórmula política de futuro”, disse. Sem prazos, recursos e mecanismos de verificação, classificou essas promessas como “retórica sofisticada” e “uma forma moderna de mentir com palavras tecnicamente bonitas, mas socialmente vazias”.

A proposta do docente é transformar os campos em espaços participativos de fato: com diagnóstico coletivo, grupos de trabalho, estudos de caso, debate crítico, formulação de propostas e avaliação de resultados.

“Cada problema discutido deve produzir uma decisão, cada decisão deve ter responsáveis e cada compromisso deve possuir prazo, indicador e mecanismo público de acompanhamento”, explicou. Para ele, mentores devem formar pensamento, dirigentes devem prestar contas e os participantes devem deixar de ser espectadores para se tornarem coautores das soluções.

Por CNEWS

13/08/2026