DSP: “Não há referendo nenhum”

24/08/2026 em Política

Compartilhe:
DSP: “Não há referendo nenhum”

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e Presidente da Assembleia Nacional Popular dissolvida em 2023, detalhou as condições em que esteve detido na 2ª Esquadra de Bissau, falou da condenação pelo Tribunal Militar e rejeitou a realização do referendo marcado para 30 de Agosto. Em declarações à RTP África,  DSP classificou o processo como "continuidade do golpe de Estado" de 26 de Novembro.

Em entrevista, Domingos Simões Pereira relatou o momento da detenção.

"Fui rodeado por cerca de vinte homens fortemente armados e encapuçados, pelo menos dois deles que estavam a dois metros de mim tremiam, eles sabiam que fazer, o risco era esse", contou. Segundo DSP, pediu calma aos agentes para perceber as ordens. "Eu estava a pedi-lhes que acalmassem para poderem me transmitir o que tinham como ordens, disse que eles só diziam, 'não, temos que ir'... Não tinham nada e eles não sabiam o que fazer."

Sobre o período na esquadra, o líder do PAIGC reconheceu que as condições eram "muito difíceis".

"É espaço de três metros por dois que não tinha nada quando fomos atirados para dentro da cela, não havia rigorosamente nada, tinha um linóleo a revestir o pavimento e não tinha nada. Portanto, nós tivemos que aguentar as primeiras 48 horas com aquilo que tínhamos vestido", descreveu.

Apesar disso, fez questão de agradecer o trabalho dos guardas. "Reconheço que as pessoas encontrámos lá, os guardas prisionais, os funcionários da instalação, fizeram tudo o que era humana e tecnicamente possível para nos proporcionar o melhor possível", afirmou.

DSP referiu ainda a condenação de que é alvo pelo Tribunal Militar e o seu eventual regresso ao país. "Se quem negociou a minha liberdade me comunicar que no espaço de três meses eu devo me apresentar para voltar à prisão e no dia for marcado estarei lá para me entregar sem qualquer tipo de problema", garantiu. "Nunca vou-me as coisas ao meu povo, nunca farei isso em nenhuma circunstância", acrescentou.

"Não há referendo nenhum. O referendo é uma consulta popular que de acordo com a nossa constituição só tem legitimidade se é promovida pelo povo guineense através da Assembleia Nacional Popular. O que vai acontecer no dia 30 de Agosto é a continuidade do golpe de Estado que foi dado no dia 26 de Novembro", declarou à RTP África.

O líder do PAIGC  falou na ocasião da sua relação com o país.

"Eu acredito que sou aquilo que sou por aquilo que a Guiné-Bissau também que a Guiné-Bissau representa na minha vida", disse.

Por CNEWS

24/08/2026