REFERENDO: Oposição diz a participação ficou abaixo de 10%

30/08/2026 em Política

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REFERENDO: Oposição diz a participação ficou abaixo de 10%

As principais plataformas da oposição guineense, PAI-TERRA RANKA e API-CABAS GARANDI, consideraram o referendo realizado este domingo, 30 de agosto, um "fracasso total" e uma "humilhação popular" ao regime que assumiu o poder após o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025.

Em comunicado conjunto emitido hoje, as duas forças afirmaram que a abstenção massiva nas urnas foi uma resposta direta do povo ao que classificaram como "encenação" para conferir legitimidade à nova Constituição aprovada pelo Conselho Nacional de Transição.

De acordo com o PAI-TERRA RANKA e a API-CABAS GARANDI, o grau de participação não ultrapassou os 10% em todo o país. As plataformas disseram ter constatado que as assembleias de voto estavam "desertas" em todas as regiões e agradeceram ao povo guineense pela "resposta positiva ao apelo ao boicote".

Para a oposição, o referendo foi convocado "à revelia da vontade popular e em flagrante violação dos mais elementares preceitos democráticos". No documento, apontam como razões para o boicote a falta de legitimidade das autoridades, as severas restrições às liberdades públicas, o afastamento dos partidos e da sociedade civil, além da ausência de fiscalização independente e transparência.

"Este boicote deve ser entendido como uma manifestação de consciência cívica e política e como uma mensagem clara do povo guineense: as grandes decisões sobre o futuro da Guiné-Bissau não podem ser impostas por um grupo restrito de pessoas", afirmam as coligações.

As plataformas consideram que as "urnas vazias" representam rejeição às mudanças constitucionais impostas à margem da legalidade democrática; que a Constituição só será legítima se resultar de "consenso, pluralismo e participação popular", e não da "vontade unilateral de quem, circunstancialmente, controla o poder".

No comunicado, a oposição alerta que o Alto Comando Militar, o Conselho e o Governo de "Transição", o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Militar Superior, perante a "humilhação popular", poderão tentar adiar as eleições já convocadas unilateralmente.

"Perante esta irrisória afluência às urnas, tentar impor a nova Constituição à maioria do povo guineense, que claramente a rejeitou, seria contribuir para aprofundar ainda mais a crise política e institucional no país", lê-se.

As coligações políticas reiteraram que não reconhecem legitimidade a um "processo unilateral" e apelaram à abertura imediata de um "diálogo político inclusivo" para restaurar a confiança e normalizar a ordem constitucional.

"A Guiné-Bissau precisa de diálogo e de confiança. É tempo de parar a escalada da confrontação. É tempo de devolver a palavra ao povo e às instituições legítimas", finalizam.

A Comissão Nacional de Eleições fala em mais de 50% a taxa de participação no referendo convocado pelo Alto Comando Militar.

Por CNEWS

30/08/2026