"Incapaz de organizar eleições", Alioune Tine arrasa Sissoco

30/09/2026 em Política

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"Incapaz de organizar eleições", Alioune Tine arrasa Sissoco

O ativista senegalês e ex-diretor da Amnistia Internacional para a África Ocidental, Alioune Tine, classificou os acontecimentos de novembro de 2025 na Guiné-Bissau como um "pseudo golpe de Estado contra ele mesmo, trágico-cómico". A crítica foi feita numa publicação na sua conta na rede social X, onde acusa o Presidente deposto Umaro Sissoco Embaló de ter sido incapaz de levar o processo eleitoral até ao fim.

Num post partilhado e consultado pelo Capital News hoje (30/09), Alioune Tine, fundador do think-tank Afrikajom Center, reagiu à crise política guineense.

"O Presidente da Guiné-Bissau não foi capaz de organizar eleições concluídas com a eleição de um novo Presidente, passar a pasta e seguir para outra coisa. Em vez disso, tivemos uma paragem brutal da proclamação dos resultados, um trágico-cómico pseudo-golpe de Estado contra ele próprio", escreveu.

A publicação surge no momento em que o país se prepara para novas eleições presidenciais marcadas para 6 de dezembro de 2026, após 10 meses de transição militar liderada pelo general Horta Inta-a.

"Desde então, a Guiné-Bissau vive uma situação de instabilidade política, marcada pela restrição das liberdades, detenções de opositores, jornalistas e membros da sociedade civil, pelo exílio de dirigentes da oposição e pela ocupação da sede do PAIGC. Instalou-se um clima de medo, associado à actuação de grupos armados acusados de efectuar detenções, reprimir e intimidar cidadãos.

A este contexto juntou-se a organização de um referendo constitucional fortemente contestado e alvo de um amplo boicote. Com o anúncio do regresso de Umaro Sissoco Embaló a Bissau e da sua intenção de se candidatar à Presidência da República, aumentaram a apreensão e a incerteza, sendo igualmente perceptíveis fortes tensões no seio dos serviços de segurança.

Perante a gravidade e a imprevisibilidade da situação, a CEDEAO, a União Africana e as Nações Unidas deveriam promover uma missão diplomática conjunta, destinada a facilitar um diálogo entre os actores nacionais e a contribuir para uma solução consensual para a crise. Entre as questões a discutir poderia estar a formação de um Governo de Unidade Nacional, com um mandato claramente definido e centrado na criação das condições necessárias para a realização, num prazo acordado entre os actores nacionais, de eleições transparentes, inclusivas, livres e pacíficas, capazes de permitir o retorno à normalidade constitucional".

Alioune Tine tem sido uma das vozes mais críticas da sociedade civil da África Ocidental sobre o processo guineense. Em publicações anteriores, já tinha classificado o golpe de novembro como um "golpe totalmente fantasma" e pedido à CEDEAO a mesma firmeza demonstrada no Benim para restaurar a ordem constitucional na Guiné-Bissau.

Umaro Sissoco Embaló anunciou o seu regresso ao país no dia 4 de outubro, admitindo a possibilidade de se candidatar às próximas eleições presidenciais.

Por CNEWS

30/09/2026