Ativista alerta para captura do poder tradicional por partidos

02/10/2026 em Política

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Ativista alerta para captura do poder tradicional por partidos

A interferência de políticos no poder tradicional está a ameaçar o equilíbrio social e institucional da Guiné-Bissau, com régulos e líderes religiosos a serem transformados em instrumentos de mobilização eleitoral e partidária. O alerta foi lançado pelo ativista dos direitos humanos Suleimane Indjai, que denuncia a confusão deliberada de papéis entre quem deve governar e quem deve mediar e pacificar.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Capital, hoje (02/10), para analisar as últimas aparições de líderes tradicionais em defesa de sensibilidades políticas, o ativista defende uma separação clara de funções: "Políticos: servir, legislar, responsabilizar. Poder tradicional: mediar, preservar, reconciliar. Religiosos: orientar, pacificar, proteger".

Para Indjai, quando esses papéis se confundem, "abre-se espaço para conflitos de competência e perda de legitimidade".

O ativista e docente critica de forma direta a instrumentalização das autoridades tradicionais como extensão de partidos ou interesses eleitorais, prática que considera estar a enfraquecer as instituições comunitárias. Da mesma forma, condena o uso de líderes religiosos como máquinas de mobilização política.

"A ingerência indevida pode gerar tensão comunitária, desconfiança e enfraquecimento da autoridade institucional", alerta.

Do ponto de vista jurídico, o ativista lembra que é necessário respeitar a autonomia, as competências e os limites estabelecidos pelo ordenamento jurídico, observando os princípios da legalidade, imparcialidade, proporcionalidade e interesse público.

Embora considere a crítica política legítima, sublinha que ela "não pode converter-se em pressão, coação ou captura das estruturas comunitárias".

Suleimane Indjai recorda ainda que, em momentos de crise, as autoridades tradicionais e religiosas têm demonstrado capacidade de diálogo e mediação pela paz, devendo o seu papel ser valorizado "como ponte entre comunidades, e não explorado como instrumento de disputa política".

A solução, defende, passa por diálogo institucional, responsabilização pelos abusos e respeito pelas normas e costumes legítimos.

"Políticos devem governar; autoridades tradicionais devem mediar; religiosos devem promover a paz. Misturar esses papéis fragiliza a sociedade; respeitá-los fortalece a convivência, a justiça e a estabilidade regional", disse.

Por CNEWS

02/10/2026