Sissoco: "Nunca criámos Forças Especiais contra o povo"

03/10/2026 em Política

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Sissoco: "Nunca criámos Forças Especiais contra o povo"

O ex-Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, quebrou o silêncio sobre a atual crise política na Guiné-Bissau. Numa publicação feita hoje na sua página oficial de Facebook, Embaló afirma que está a acompanhar "com serenidade e atenção" a situação no país e nega que as Forças Especiais de Defesa e Segurança tenham sido criadas para se voltarem contra a população.

"Como guineenses, estamos condenados a viver juntos, a partilhar a mesma Pátria e a construir, lado a lado, o futuro da nossa Nação", começa por escrever Umaro Sissoco Embaló, defendendo que acima das diferenças políticas deve prevalecer o que une os guineenses.

O antigo Chefe de Estado, que deixou o país após a intervenção militar de 26 de novembro de 2025 que interrompeu o processo eleitoral, diz que tomou nota dos últimos desenvolvimentos, incluindo o anúncio do desmantelamento das milícias a si associadas feito pelo Alto Comando Militar.

"Em nenhuma circunstância criámos as Forças Especiais de Defesa e Segurança para se voltarem contra o nosso povo", garante, sublinhando que a sua existência era orientada "para a proteção do Estado, da população e da ordem constitucional, numa perspetiva de prevenção, segurança e defesa do bem-estar coletivo".

O ex-Presidente acusa "antigos opositores políticos" de veicularem mensagens que podem aumentar as tensões na sociedade e apela ao sentido de responsabilidade, moderação e respeito mútuo.

Num tom mais pessoal, Umaro Sissoco Embaló afirma ter sido transformado em parte do problema e, por essa razão, afastado das suas funções.

"Ainda assim, por amor à Guiné-Bissau e pelo bem-estar do nosso povo, optámos pela serenidade, evitando qualquer palavra ou atitude que pudesse contribuir para a instabilidade, a divisão ou a turbulência social", escreveu.

Revela ainda que saiu do país com a esperança de que as autoridades competentes esclarecessem as verdadeiras causas da instabilidade, mas manifesta agora preocupação com "situações que possam atingir pessoas que nos são próximas ou procurar apagar os legados e as realizações alcançadas durante o nosso mandato".

"Se servir o povo, trabalhar pelo desenvolvimento nacional e procurar retirar a Guiné-Bissau das dificuldades forem considerados erros, então aceitaremos ser julgados pela História", afirma.

Na mensagem apela aos seus apoiantes: "Não façam, repetimos: não façam nada que possa colocar em causa a paz, a tranquilidade e a segurança da nossa sociedade".

Embaló pede que deixem as novas autoridades exercerem as suas responsabilidades com serenidade e que o povo possa avaliar através de mecanismos democráticos. Garante que, da sua parte, está tranquilo e que a sua estratégia passa por "unir as bases políticas, fortalecer a mobilização cívica e preparar democraticamente o próximo embate eleitoral, sempre dentro da lei".

"O nosso foco é a Guiné-Bissau. O nosso caminho é a paz. A nossa força é a unidade. E o nosso compromisso é com o futuro da Pátria", lê-se no excerto.

A publicação surge horas depois de as coligações PAI-Terra Ranka e API-Cabaz Garandi terem saudado o desmantelamento das milícias ligadas a Embaló e no momento em que circulam informações sobre o seu anunciado regresso ao país e candidatura às presidenciais de 5 de dezembro marcadas pelas autoridades de transição.

Por CNEWS

03/10/2026