Flávio Bolsonaro declara-se "verdadeiro presidente eleito"

28/10/2026 em Internacional

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Flávio Bolsonaro declara-se "verdadeiro presidente eleito"

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial de domingo (25), divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" e minutos depois republicou o texto sem a frase, segundo publicação da CNN Brasil desta quarta-feira.

De acordo com a CNN Brasil, na carta Flávio confirma que está nos Estados Unidos com a família, agradece aos presidentes Donald Trump e Javier Milei e afirma que vai liderar a oposição do exterior. No texto, o senador repete, sem provas, acusações contra o STF e o TSE.

Ainda segundo a CNN Brasil, a primeira versão da carta trazia a autodeclaração como presidente eleito, estratégia que lembrou a do venezuelano Juan Guaidó. Na segunda versão, publicada minutos depois nas redes sociais, Flávio se apresenta como "líder do Brasil".

Na carta, Flávio afirma que "na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos". O texto não apresenta provas de irregularidade.

Um dos argumentos usados é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar a votação até as 19h. Flávio chama Zanin de "ex-advogado do Lula" e diz que a medida permitiu "uma impossibilidade matemática": Lula ter somado mais de 10 milhões de votos entre os turnos.

Segundo a publicação da CNN Brasil, os dados oficiais não sustentam a tese. Em nota de terça-feira (27), o TSE informou que 32.399 votos foram computados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 após as 19h. Das 497.333 seções, 437.065 concluíram até as 17h10 e 24.268 funcionaram depois desse horário.

A reportagem aponta ainda que mesmo que todos os votos do horário extra fossem para Lula, representariam menos de 1% da diferença final. No primeiro turno, 3,7 milhões de eleitores votaram depois das 17h por estarem na fila.

A CNN Brasil informa também que o crescimento de Lula entre os turnos tem explicação aritmética. No primeiro turno, cerca de 9,3 milhões de votos válidos foram para outros candidatos. No segundo, a abstenção caiu de 21,08% para 19,21% e o número de votos válidos aumentou em cerca de 4,8 milhões. Desses 14,1 milhões de votos em disputa, Lula ganhou 10,4 milhões e Flávio 3,7 milhões.

A prorrogação, conforme a CNN Brasil, foi pedida pela coligação de Lula após problemas na circulação de ônibus. A campanha de Flávio também havia pedido ao TSE para estender o horário em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina, alegando condições climáticas. Esse pedido não é mencionado na carta.

O resultado oficial divulgado pelo TSE deu a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4,4 milhões de votos. O resultado foi proclamado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF em 2020 por Jair Bolsonaro.

"Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral", afirmou o ministro, segundo a CNN Brasil.

Aliados de Flávio reconheceram a derrota. O PL, em nota assinada por Valdemar Costa Neto, afirmou que reconhece o resultado proclamado pelo TSE. O vice na chapa, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), fez o mesmo na terça-feira (27).

Por CNEWS

28/10/2026