SINQUASS: Sistema de Saúde está “altamente” vulnerável.

17/01/2025 em Saúde

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SINQUASS: Sistema de Saúde está “altamente” vulnerável.

O novo Presidente do Sindicato Nacional dos Quadros Superiores da Saúde ( SINQUASS) disse que “o Sistema Nacional de Saúde da Guiné-Bissau está altamente vulnerável”, justificando  “insignificante dotação orçamentária afetada a este setor primário, a insuficiência dos recursos humanos em termos qualitativos e quantitativos, a degradante situação das infraestruturas e dos equipamentos, pela ausência de política de formação e de reciclagem continua para os técnicos, a repartição desigual dos recursos disponíveis, e bem como pela ausência de mecanismos de controle da atuação dos profissionais que intervêm no setor”.

Dencio Florentino Ié falava esta sexta-feira, 17 de janeiro, no ato de posse de novos  membros dos órgãos sociais da organização sindical do setor da saúde, no qual, o técnico exige a resposta ao fenômeno de “disfuncionalidade do sistema nacional de saúde”, que disse  requer um papel imprescindível não só do governo, mas também das organizações da sociedade civil, dos parceiros nacionais e internacionais, da população em geral.

“Uma radiografia real dos problemas que afetam o sistema nacional da saúde guineense nos apresenta as seguintes realidades: ausência de condições mínimas para dar respostas às catástrofes naturais ou epidemias, a deficiente cobertura dos serviços de cuidados primários de saúde, a insuficiência ou quase ausência de meios de diagnósticos e de outros equipamentos médicos indispensáveis, a excessiva dependência de apoios do exterior e dos organismos internacionais para o funcionamento dos serviços básicos, a ausência de uma política institucional que vise integrar, coordenar e controlar as iniciativas do setor privado e de medicina tradicional, e entre outros fatores adversos, justificam a vulnerabilidade do setor sanitário do país”, descreveu.

O sindicalista é de opinião que “há sempre uma falsa questão em que as pessoas tentam manipular a consciência dos técnicos de saúde com afirmação de que eles juraram salvar vidas,  portanto, têm que fazê-lo de qualquer jeito”.

“ Sobre este assunto, sempre faço lembrar que durante os meus anos de estudo de medicina até a data presente, exercendo como médico, não li um único livro de medicina que aconselhe os técnicos de saúde a se suicidarem primeiro para poder salvar a vida de seus pacientes. O fato de os técnicos de saúde usarem batas, luvas, máscaras e outros meios de proteção é sinal de que primeiro aprendemos que temos que cuidar de nós mesmos para depois estarmos em condições de salvar outras vidas”, replicou.

Para Dencio Florentino Ié “não é segredo para ninguém que o estado da Guiné-Bissau é um dos maiores corruptores que existem no mundo, pois manter um funcionário a trabalhar por um período superior ou igual a um ano, sem receber qualquer tipo de remuneração e depois exigi-lo a prestar serviços de qualidade, é incentivá-lo a entrar na corrupção a fim de poder suportar as suas necessidades básicas.  Esta minha afirmação não deve ser tida como se estou a incentivar as cobranças ilícitas nos hospitais, senão como alguém que está a defender a justiça, pois o trabalhador é digno do seu salário”.

“Tenho consciência clara da partidarização do nosso aparelho de Estado, a ponto de não existir agora a linha divisória entre cargos técnicos e cargos de confiança política”, disse, ressaltando na ocasião que “a demora para ingresso na administração publica, o salário miserável que os profissionais de saúde ganham, a falta de condições de trabalho e ausência de uma política nacional de retenção de quadros, são fatores que comprovam a desvalorização de quadros técnicos por parte do estado da Guiné-Bissau”,  ressalta ainda que  “estes são principais motivos que precipitam a fuga diária dos quadros, em particular médicos para estrangeiro a procura de melhores condições de vida.  Portanto”, pelo que segundo o técnico “é urgente que sejam tomadas medidas corretivas a fim de por cobro a essa situação”.

O Sindicato disse que “é impossível pensar no cumprimento do Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário (PNDS) com os professores, técnicos de informática e de markiting, a serem nomeados para desempenhar funções de diretores de hospitais e de centros de saúde”.

“ Pois os políticos já não se encontram escolas para nomearem os Professores Militantes dos seus respetivos Partidos Políticos, e nem há Técnicos da Saúde de confiança para ocupar as funções dos diretores dos hospitais, pelo que são obrigados arrancar estes técnicos de educação com Giz e seus respetivos QUADROS para ir dar aulas aos Profissionais da Saúde nos Hospitais”, revelou.

Para Dencio Florentino Ié “em todo o mundo, o setor de saúde experimenta quase todos os dias grandes desafios dada as constantes mudanças que nele se verifica, pelo que exige dos intervenientes deste setor a adoção de mecanismos e medidas permanentes que visam fazer face aos desafios da imprevisibilidade que nele se constatam”.

Para tal, de acordo com o Sindicalista a direção a que  liderar já tem no seu programa uma proposta de fixação de uma data anual onde todos os anos será realizada uma conferencia sobre pensar saúde guineense, na qual pretende-se envolver todas as entidades intervenientes no sector da saúde, as organizações da sociedade civil e o próprio governo com vista a provocar um debate sério a volta de grandes questões relacionadas com o estado de funcionalidade do sistema nacional de saúde guineense.

 “E, a partir dessas discussões, serão identificadas as deficiências e as fortalezas das nossas instituições sanitárias, cujas possíveis soluções para as lacunas eventualmente existentes serão objeto de abordagem posterior tanto com o patronato quanto com os organismos nacionais e internacionais”, apontou.

 Capital News

Por CNEWS

17/01/2025