Opinião: É urgente investigar a investigação

21/01/2025 em Opinião

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Opinião: É urgente investigar a investigação

Um país – um povo e uma nação com sua cultura e valores em  desusa  por falha no sistema da educação, formação e a  investigação científica [morta] a favor de “uma minoria analfabeta”  altamente incompetente, mas que domina o sistema.

A ciência é um dos temas  que deveria merecer de maior interesse para estado e a população guineense. No entanto, pode ser difícil de comunicar, porque aborda temas e termos técnicos que vão além do conhecimento geral de gestores  das politicas setorial. Afinal, como podemos colmatar este desafio, tornando a ciência mais entendível e, por isso, mais próxima das pessoas?

Educação, formação e investigação, principalmente o último [a investigação científica] ou a pesquisa, são na verdade, bases para definir os indicadores, porque sem números não há como pensar em projetos, a não ser no misticismo.

A falta de Técnicos qualificados na esfera de decisão de políticas Públicas para setor de investigação, instabilidades políticas e ausência de uma política realista e de orçamento para o ambiente da ciência e ensino superior, leva a  investigação científica em desusa, em consequência da educação escolar que não educa crianças e jovens da Guiné-Bissau para serem Homens guineenses, para pensarem e decidirem o rumo da sociedade. Não se pode falar em uma educação de cidadão Político eticamente responsável, sem trabalhar em três pilares essenciais: a Educação, a ética e a política.

A sociedade está  de maneira que se encontra, tudo por falta de políticas educativas e de formação fora do ambiente ou inadequada a contemporaneidade,  às culturas e às realidades ou valores locais. Isto é, educar fora do mundo, se os currículos [educativos e Científicos] não se adequarem não se levarem em consideração valor de um povo, um país e uma nação, valores locais.

Neste paralelismo de pensar a educação escolar e investigação científica [superior], importa ressaltar alguns indicadores criminalmente “criminosos” : nível de preparação de docentes [universitários], professores sem cultura geral no mínimo para se atualizar e adequar os currículos às realidades, teorias míticas que se opõem aos pensamentos filosóficos da educação sistemática, facto que vem atrapalhando o processo de ensino-aprendizagem, a formação e a investigação científica.

As carreiras de Docente Universitário na Guiné Bissau devem ser repensada e trabalhada para se poder ajudar na formação de homem [filósofo ] “produtivo”, contrariamente, àquilo que se verifica “uma reprodução permanente “ sem “novos saberes”.

Repito, nesta minha modesta opinião que  carreira de docente universitário (que faz, ou pode fazer, investigação a tempo parcial) e a de Investigador (que faz investigação a tempo inteiro e pode, ou não, ter alguma atividade letiva) devem ser profundamente repensadas do ponto de vista legislativo, jurídico e regulamentar. Têm de existir carreiras bem delineadas que permitam previsibilidade e planeamento na sua gestão, implicando avaliação externa regular independente, com critérios de exigência e responsabilização.

Enfim, a ciência está e desusa, “é urgente investigar a investigação”, reformular os currículos e adequá-los à realidade e contexto da Guiné-Bissau e à contemporaneidade.

Mamandin Indjai

Professor/Jornalista

 

Por CNEWS

21/01/2025