WANEP-GB descreve 30 anos de “fragilidade democrática”.

31/01/2025 em Direitos Humanos

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WANEP-GB descreve  30 anos de “fragilidade democrática”.

A Rede Oeste Africana para Edificação de Paz disse que até 2024, a Guiné-Bissau vivenciou um período de 30 anos de “profunda fragilidade democrática”, caracterizada por “golpes de estados, conflitos político-militares (guerra civil)”, assim como de “constantes derrubes e mudanças de governos, assassinatos do Presidente da República, e de vários líderes militares e políticos”, e demais violências políticas. O conjunto dessas truculências minou o regular funcionamento das instituições do Estado, e fizeram recuar muitas mulheres na arena politica.  

A mensagem da organização sub-regional foi transmitida esta quinta-feira, 30 de janeiro pela sua Coordenadora Denise dos Santos Indique, no âmbito de comemoração de 52 anos da morte da Heroína Titina Silla.

“Depois da independência houve uma maior participação das mulheres porque havia uma ideologia que vinha de luta e que era massivamente seguida”, destacou a ativista guineense, recordando que Amílcar Lopes Cabral, [líder e fundador da nação guineense e cabo-verdiana]  compreendia que o sucesso de qualquer tipo de transformação social “consistia em constatar de que forma a mulher participa no mais amplo processo de libertação da sociedade, e vai ainda mais longe, dizendo que a nossa revolução nunca será vitoriosa se não conseguirmos a plena participação das mulheres”.

De acordo com Dos Santos “no processo da Democratização do País, nos anos 1990, com maior impacto em 1994, data de realização das primeiras eleições gerais multipartidárias, relegou a participação das mulheres para o segundo plano”.

“O parlamento da Guiné-Bissau aprovou no início de Agosto de 2018, uma lei que fixa uma quota mínima de 36% de mulheres nos lugares cimeiros da decisão, mas a participação das mulheres guineenses na política, quer como candidatas, quer como governantes, ainda está muito aquém do determinado pela lei, apesar de constituírem maioria no eleitorado”, descreveu.

Facto que leva a ativista guineense acreditar que “a  política na Guiné-Bissau tem cara de homem”, justificando que “a  preferência social de ter homens nos órgãos de tomada de decisão é particularmente reforçada pelas próprias mulheres, que aceitam e contribuem para o seu afastamento da tomada de decisão”.

“ Muitas vêm como seu papel apoiar os homens na sua ascensão em seu próprio detrimento. Essa atitude de submissão e autoexclusão é altamente veiculada na sociedade, espelhando toda a complexidade das relações de género e da sua transposição em todos os domínios da sociedade, inclusive nas esferas de tomada de decisão”, anotou.

Para a Coordenadora da WANEP-GB “a nova geração não só revisita os ideais de Amílcar Cabral sobre a importância da mulher na família e na sociedade, como também tem reivindicado, de si, este valor, numa altura em que a própria sociedade guineense já está a questionar a liderança dos homens a frente do país a mais de 50 anos sem resultados impactantes na vida da população”.

“Mulheres, os direitos são uma conquista, e não uma dádiva, têm que conquistar os vossos direitos. Há muitas coisas que avançaram, mas há outras que ainda precisam avançar; o vazio político deve ser preenchido pelas mulheres. Costuma-se dizer que, na Guiné-Bissau é preciso ter a coragem, para fazer política. E essa coragem é que nunca deve faltar uma mulher”, disse Denise dos Santos sublinhando que “os homens, não podem continuar a exigir mais das mulheres que façam um esforço extraordinário para estar nas posições cimeiras nos partidos políticos e nas esferas de tomadas de decisão se a cultura machista e bem presente na nossa sociedade”.

Para inverter o cenário, a ativista guineense propõe que “é preciso que a elite política compreenda, que nenhum esforço das mulheres terá sucesso, se não houver uma mudança de mentalidade dos homens, no sentido de considerar a igualdade de género como um desígnio nacional e como um valor acrescido, cuja concretização, depende em grande parte do desenvolvimento sustentável da Guiné-Bissau”.

Por CNEWS

31/01/2025