Sissoco Embaló é instado a abandonar o poder

03/02/2025 em Política

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Sissoco Embaló é instado a abandonar o poder

O Movimento Cívico Frente Popular adverte ao Chefe de Estado guineense que “o dia 27 de fevereiro de 2025 marca o fim do mandato presidencial”,  lamentando que  “a 24 dias desta data crucial, não foram tomadas quaisquer medidas sérias para preparar as eleições presidenciais”.

Na Carta Aberta dirigida ao povo guineense esta segunda-feira, 3 de fevereiro, o movimento cívico sublinha que “data das próximas eleições ainda não é conhecida”, facto que considera ser “ manobras perigosas” de Presidente da República e do seu regime.

 Para Frente Popular a situação constitui “sem dúvida, uma grande provocação para o povo da Guiné-Bissau”, que  desafia  “a dar um salto patriótico para derrotar esta tentativa de golpe de Estado constitucional”.

“Enquanto as instituições republicanas são decapitadas através de golpes palacianos e institucionais ao serviço da agenda absolutista e ditatorial e ao benefício de um punhado de indivíduos, o povo guineense é consumido pela penúria e pela miséria”, lê -se na carta aberta do movimento cívico, que descreveu ainda “a marca deste regime” que disse  ter sido “a confiscação das liberdades de pensamento, expressão, reunião, manifestação e de escolha, através de medidas ilegais tomadas nos corredores da impunidade do Ministério do Interior, em nome de uma hipotética ordem superior”.

De acordo com Frente Popular “as agressões com armas de fogo contra a imprensa e seus profissionais, os ataques contra comentadores e analistas políticos, a repressão, a brutalidade contra manifestantes pacíficos da Frente Popular em 18 de Maio de 2024, nas celas da Segunda Esquadra, os espaçamentos e tortura de figuras políticas partidárias, incluindo mulheres e mães, durante um simples passeata em Bissau, as chantagens e intimidações dos ativistas dos direitos humanos, são alguns de inúmeros desmandos que estão gravados na memória do povo guineense”.

O movimento liderado pelo Armando Lona destaca na sua carta aberta “as perseguições e espancamentos tornaram-se um marco do regime autocrata de Sissoco Embaló em vigor no país desde em 27 de fevereiro de 2020, com dezenas de vítimas identificadas dentro e fora do país”.

“Para além de aniquilar as instituições republicanas, destruir a democracia, o Estado de direito democrático, a ditadura sissoquista visou igualmente branquear a história do povo heroico da Guiné-Bissau, através de uma agenda pseudo-fundamentalista com propósito de dividir para melhor reinar em águas turvas”, escreveu Frente Popular apontando no documento  agenda que considera “sectária, divisionista”, que segundo o movimento “tem sido o principal emblema deste regime ditatorial e do seu chefe ao longo dos cinco últimos anos caracterizados sobretudo pela banalização dos símbolos nacionais e pela institucionalização da mentira como método da ditadura”.

Frente Popular lembra na carta daquilo que considera “o assalto armado à Assembleia Nacional Popular, o órgão legislativo [por excelência] e representativo do povo, transformou essa supra instância de fiscalização da ação governativa numa extensão da presidência da República, à semelhança do STJ [ Supremo Tribunal de Justiça]”, facto que disse ter impossibilitado a realização de reformas institucionais, políticas e económicas indispensáveis para o relançamento do país,  imperativa eleição de um novo Secretariado Executivo da Comissão Nacional de Eleições e a materialização da vontade popular através da instalação de um governo de “burla política ao serviço do único chefe”.

“Notando ainda que a hipotética polémica em tomo do fim do atual mandato presidencial não passa de mais uma vã tentativa de diversão financiada por Sissoco e seus cúmplices da ditadura, com intuito de distrair o povo guineense abalado pela miséria resultante da incompetência e desgovenação”, anotou.

Neste sentido, Frente Popular convoca “o  corajoso povo guineense à mobilização, à luta e resistência para o resgate das liberdades, da dignidade, da democracia e do Estado de Direito”, e interpela firmemente à juventude guineense no sentido de assumir, com determinação e bravura, mais uma “missão de salvaguarda do seu próprio futuro, hoje hipotecado por um grupo de interesses inconfessos e absolutamente alheios às legitimas aspirações do povo guineense”.

O Movimento Cívico guineense repudia na carta  “o regime autocrata e ditatorial vigente no país”,  exigindo do seu chefe que chama de “ absolutista” o abandono imediato do poder a  partir de 00h do dia 28 de fevereiro de 2025, em caso da não realização das eleições presidenciais nos termos previstos na Constituição da República.

“Convidar a todas as forças patrióticas nacionais para concertação com vista a uma larga convergência nacional para o período pós 27 de fevereiro, fim do atual mandato presidencial”, desafiou Frente Popular que alerta às organizações internacionais sediadas no país, em particular a CEDEAO, sobre “os riscos que as teimosias do regime encabeçado por Umaro Sissoco Embaló poderão acarretar ao país e o seu impacto negativo para a região oeste Africana”.

O Movimento Cívico alerta ainda  as forças de defesa e segurança, sobre “as consequências da sua instrumentalização para objetivos inconfessos que visam perpetuar as ilegalidades e endossar a destruição dos valores e princípios que enformam a democracia e o Estado de Direito”.

Por CNEWS

03/02/2025