API-CG: Dias prepara retirada do PRS na  coligação

13/02/2025 em Política

Compartilhe:
API-CG: Dias prepara retirada do PRS na  coligação

A Coligação eleitoral Aliança Patriótica Inclusiva (API - Cabaz Garandi) está na corda bamba e pode a qualquer momento mergulhar numa grave crise e cisões.

Os dirigentes das duas alas do Partido de Renovação Social (PRS), em que uma facção integra  a Coligação, estão em negociação para reunificar o partido. Uma das condições em cima da mesa é o abandono a Coligação API Cabaz Garandi, caso a outra parte anular o seu Congresso.

Estas negociações, inicialmente patrocinadas por um Conselheiro do Presidente da República, estão repercutir-se no seu envolvimento na ação da oposição, precisamente na Aliança Patriótica Inclusiva (API - Cabaz Garandi) que tem dado sinais de um abrandamento nas suas atividades na oposição.

Há cerca de duas semanas a Coligação manifestou a sua posição sobre o controverso fim de mandato do Presidente da República, desde aí as partes em desavença do PRS multiplicaram os contactos em mira de uma reunificação.

Fontes do PRS confirmaram que ambas as alas já reuniram duas vezes e, ainda antes de ser estabelecido um acordo formal, chegaram a um consenso para "estabelecerem tréguas" e impostos alguns condicionalismos que já estão a ser aplicados.

A ala do PRS liderada por Fernando Dias, por exemplo, exigiu que os seus opositores internos renunciem ao Congresso extraordinário que levou Felix Nandunguê a assumir a liderança do PRS reconhecido pela justiça guineense através da anotação do Supremo Tribunal de Justiça.

Em contrapartida, a facção de Fernando Dias comprometeu-se em cessar todos os ataques aos seus opositores, incluindo o Presidente da República, enquanto as partes manterem as negociações para a realização de um congresso extraordinário.

Apesar de nenhum acordo formal ter sido estabelecido, na primeira fase das negociações para terminar com a bicefalia do PRS, não foi ignorada a fraca presença da ala de Fernando Dias nas lutas políticas, em que ambos estavam envolvidos, contra o atual regime político.

Neste momento apenas a ala do PRS de Fernando Dias, para além do silêncio, está a cumprir a letra o pré-acordo. Além de não aparecer ao lado de Braima Camará na promoção da API, não participou recentemente na reunião online da Comissão Permanente da ANP, alegando problemas de ligação à rede internet.

Paradoxalmente, dos 12 participantes na reunião, nove estavam na Guiné-Bissau e a ligação à internet não registou qualquer incidente. Também, não participou  na reunião, Mário Siano Fambé, outro dirigente do PRS da facção de Fernando Dias. Os problemas de internet avançado foram interpretados como um álibi que alvitra a cessação de hostilidades políticas.

Não passou despercebido que o Presidente da República garantira  que não estava preocupado com a coligação API, porque a ala do PRS de Fernando Dias é do seu campo e, no dia em que quisesse, iria destruir "Cabaz Garandi".

A destruição da Coligação API parece estar em curso, tendo em conta que a mesma deixou de pronunciar-se há cerca de duas semanas e o presidente da APU-PDGB, Nuno Nabian, também, está, subitamente, ausente na arena política.

Braima Camará, o mais determinado na luta contra o Presidente da República, e reiteradas vezes mencionou 27 de Fevereiro como data do fim do mandato presidencial, está cada vez mais isolado.

Após ter cumprido um período de luto, Braima Camará lançou uma intensa campanha política de agradecimento durante quase uma semana. Neste período foi notória a ausência do dirigente da API. Paradoxalmente, e apesar de intitular a sua deslocação de agradecimento a todos os que o cumprimentaram durante o período de luto, Braima Camará manteve como estandarte a "Cabaz Garandi", falou das eleições, disse que foi apoiante de Umaro Sissoco Embaló, mas foi traído pelo chefe de Estado por este não ter cumprido o acordo que tinham estabelecido e que, supostamente, previa Umaro Sissoco Embaló retribuir apoiando Braima Camará na corrida às presidenciais. Em mais de 7 zonas de concentração de votos do seu partido, Braima Camará apresentou Cabaz Garandi, falou de Fernando Dias, de Nuno Nabiam, de Baciro Djá, mas nenhum destes estava presente.

PAI Terra Ranka suspeita

Outra estrutura política que encara com desconfiança as movimentações do PRS e consequentemente na API, é a Coligação PAI Terra Ranka.

A organização que venceu as eleições em Junho de 2023, viu o PRS a aproximar-se da posição do Presidente da República quando da dissolução do parla- mento em Dezembro do mesmo ano, e este posicionamento do PRS deixou feridas que hoje reabrem  e arrastam com o deteriorar da confiança dos dirigentes da Coligação PAI Terra Ranka com os do PRS.

Por: E-Global

Por CNEWS

13/02/2025