Opinião: Conflito de liderança na UNTG-CS

13/02/2025 em Opinião

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Opinião: Conflito de liderança na UNTG-CS

Até quando irá terminar a confusão à volta da liderança da UNTG-Central Sindical entre Júlio António Mendonça e Laureano Pereira da Costa?

Desde 2021, a Guiné-Bissau assiste a um imbróglio que não parece ter fim: a disputa pela liderança da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG) entre Júlio António Mendonça e Laureano Pereira da Costa. O que deveria ser uma luta saudável pela representação da classe trabalhadora tornou-se um cenário de constante conflito que paralisa as ações da central sindical e fragiliza a defesa dos direitos dos trabalhadores. O impasse gerado pela disputa de poder está há mais de dois anos arrastando a instituição para um cenário de ineficiência e desconfiança.

A UNTG, que tem como principal missão garantir a união dos trabalhadores e a melhoria das condições de trabalho no país, encontra-se hoje dividida em facções rivais, com cada um dos lados reivindicando sua legitimidade e tentando ganhar a adesão dos trabalhadores e das autoridades. Júlio António Mendonça e Laureano Pereira da Costa têm se mantido em lados opostos, cada um com seu próprio entendimento de como a central deve ser dirigida, e os métodos que têm utilizado para tentar resolver a disputa têm sido, no mínimo, destrutivos.

O que causa perplexidade é que a classe trabalhadora da Guiné-Bissau, que deveria ser a maior beneficiária do trabalho da UNTG, tem sido prejudicada diretamente por essa divisão. As condições de trabalho no país continuam precárias, com salários baixos, falta de empregos formais, e o Estado incapaz de garantir políticas públicas eficazes na área do trabalho. Ao invés de ter uma central sindical forte, capaz de organizar e mobilizar os trabalhadores para a luta por melhorias, o que temos assistido é um enfraquecimento da UNTG, devido à fragmentação interna. O que antes era uma voz unificada em prol dos trabalhadores, agora se vê diluída em disputas internas que não têm fim à vista.

Até quando essa situação vai perdurar? Essa pergunta paira no ar, sem uma resposta clara. O que é certo é que, enquanto a UNTG continuar dividida, a classe trabalhadora perde sua principal aliada na defesa de seus direitos. Cada dia que passa sem que esse imbróglio seja resolvido é mais um dia perdido na luta pela melhoria das condições de vida dos guineenses.

Além disso, a falta de uma liderança unificada na UNTG afasta a confiança da população e das instituições internacionais. Organizações que financiam projetos de impacto social e de melhoria das condições de trabalho podem começar a ver a Guiné-Bissau como um lugar instável, onde não há garantias de uma representação séria e comprometida. A consequência disso é que a central sindical perde força e influência, e a própria causa dos trabalhadores se enfraquece, uma vez que ninguém leva a sério uma organização fragmentada.

O que é necessário, então, para acabar com essa confusão? Em primeiro lugar, é fundamental que os líderes da UNTG se afastem dos interesses pessoais e se concentrem no que realmente importa: o bem-estar dos trabalhadores. A solução para esse impasse não passa por mais disputa, mas sim por um diálogo sincero e transparente entre as partes, com o objetivo de encontrar um acordo que restabeleça a unidade da organização. A UNTG precisa de uma eleição legítima, realizada de forma transparente e com total imparcialidade, onde as regras sejam claras e aceitas por todos. Uma mediação externa também poderia ser uma opção para garantir a imparcialidade e a resolução definitiva do conflito.

A classe trabalhadora da Guiné-Bissau precisa de uma liderança forte e unificada, que tenha a capacidade de lutar por melhores salários, condições de trabalho dignas e a criação de empregos. As disputas internas entre Mendonça e Pereira da Costa só têm atrasado esses avanços. O tempo está correndo e, a cada dia que a UNTG se mantém dividida, os trabalhadores guineenses continuam a pagar o preço dessa falta de coesão.

Em resumo, a confusão em torno da liderança da UNTG entre Júlio António Mendonça e Laureano Pereira da Costa não pode continuar a ser um obstáculo à luta pelos direitos dos trabalhadores da Guiné-Bissau. Está mais do que na hora de acabar com esse impasse e garantir que a UNTG volte a ser uma central sindical forte, que unifique a classe trabalhadora em torno de objetivos comuns e que possa realmente exercer o papel de liderança e transformação social que o país tanto precisa. A pergunta que fica é: até quando o país e os trabalhadores terão que esperar por uma solução definitiva para esse impasse? A resposta está, mais uma vez, nas mãos daqueles que têm a responsabilidade de restabelecer a paz e a unidade dentro da UNTG.

Por: Jornalista Nelson Oliveira Intchama

Por CNEWS

13/02/2025