Político sem conteúdo doutrinário e identidade filosófica

15/02/2025 em Opinião

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Político sem conteúdo doutrinário e identidade filosófica

Estou outra vez, neste modesto exercício de cidadania, partilhando conhecimentos e experiências política e governativa, em especial a essência de ser político ou servidor público estadual.

Facto é que, desde a abertura Democrática nos princípios de ano 1990, muito antes, não obstante o país ter quadros “altamente competente” , a política e gestão pública foi e está inundado de comerciantes travestidos de políticos. Aliás, políticos  sem uma identidade filosófica e desprovidos de retidão na arena política nacional.

Isto, não se deve apenas a impreparação do homem político guineense, mas também, frustração nos âmbitos de formações políticas. Maioria de formações políticas da Guiné-Bissau surgiram a revelia [rebeldes] das direções antecedentes. Discorda-se com instrumentos jurídicos internos e vão se formar outro espaço Político e acabam por piorar invés de melhorarem positivamente. Assim é o processo democrático na Guiné-Bissau. Os partidos conjunturais e militantes que não sabem fundamentos ideológicos das formações políticas que militam e acabam apenas por ser “fanáticos” dos lideres, também, medíocres.

A história é repositório de acontecimentos e estes, alteradas as circunstâncias de tempo, lugar e pessoas, tende a se repetir e, se isto não ocorrer, restará o exemplo de como se conduziram os políticos — aqui entendidos como imperadores, reis, líderes religiosos ou representantes populares — em momentos complexos de suas vidas. Temos, pois, na história, um dos elementos fundamentais para atividade política.

É uma verdade universal que verdadeiro político tem a capacidade do conhecimento direto, imediato, sem recurso a racionalização. Ele antevê o futuro e as consequências dos atos presentes. Ainda mais.

O político deve reconhecer as qualidades de seus adversários e, necessários, recolher exemplos em suas atuações, sem nunca, todavia, abdicar dos valores que constituem seu arcabouço intelectual e ético.

Não deve existir político sem conteúdo doutrinário. Os que se dizem políticos, mas não possuem identidade filosófica, na verdade são marionetes conduzidos por terceiros, muitas vezes ocultos. Vivem algum tempo. Não persistem.

Porém, ser político é exercer uma tarefa missionária e uma ação pedagógica. Não é político o populista falastrão, deixa de ser político o que se dobra a qualquer insinuação ou adversidade. Estes são atores que recitam texto alheio.

O político verdadeiro luta por seus princípios. Opõem barreiras a má vida e repele as adversidades. Procura, mediante a persuasão, levar a comunidade a bons caminhos, afastando os obstáculos e fazendo-a atingir seus objetivos. Facto que não se nota na vida dos políticos africanos, em especial, os guineenses.

Até aqui, irmãos guineenses, porém, ainda não temos um político em sua plenitude. A figura plena do político só é atingida quando, em amálgama perfeita, a personalidade acima descrita, com seus atributos e instrumentos, se conduz com retidão. O  verdadeiro político impulsionado por duas éticas,  da convicção, que lhe dá segurança na atuação e da responsabilidade, que lhe permite agir, em determinadas circunstâncias, mesmo que contrariando sua vontade profunda.

Convém perceber que a democracia, para ser plena, deve ser acompanhada pelo princípio da transparência, pois onde há espaços secretos existe fissuras para a prática de atos corruptos, compreender ainda que a  rotatividade nos cargos administrativos é fundamental. Toda vez que um titular da administração permanece por longo no poder, este se fragiliza e fragilizam-se os seus integrantes.

Mamandin Indjai

Por CNEWS

15/02/2025