ONG alerta para risco de golpe de estado

21/02/2025 em Política

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ONG alerta para risco de golpe de estado

Associação Amilcar Cabral sedeada na Alemanha alerta para o risco de um golpe de estado na Guiné-Bissau, com a tentativa de prolongar o mandato do Presidente da República Umaro Sissoco Embaló após 27 de fevereiro de 2025.

Na nota a imprensa da organização, entregue a redação de Capital News esta sexta-feira, 21 de fevereiro, a Sociedade Amilcar Cabral fez radiografia de acontecimentos no país da África Ocidental desde a posse simbólica de Umaro Sissoco Embaló em 27 de fevereiro de 2020, marcada pelas tentativas de golpe de estado que disse servir de  aproveitamento do Presidente da República “para prender dezenas de alegados conspiradores”, assim também , “impedir qualquer esclarecimento sério dos acontecimentos e ignorar as ordens judiciais de libertação”, assim como a dissolução do parlamento e demissão dos governos Constitucionais. Sendo última, para a organização aconteceu “antes de se poder realizar qualquer debate sobre os antecedentes da tentativa de golpe de Estado”.

“O Presidente Embaló recusou-se igualmente a convocar as eleições presidenciais previstas para outubro/novembro de 2024, que teriam garantido uma sucessão pacífica no cargo, pondo assim em causa o já frágil consenso democrático no país.

Agora, a pouco tempo do fim do seu mandato, nega a controversa tomada de posse em fevereiro de 2020 e pretende datá-la para 4 de setembro de 2020, data em que forçou a decisão sobre o contencioso eleitoral a seu favor, exercendo uma pressão considerável sobre os juízes”, escreveu a ONG.

A organização descreve que “o  mandato de cinco anos de Embaló caracterizou-se pela etnização da política, pela agitação interna, por ataques da polícia e de militares, e de outros atores, por vezes armados, contra membros da oposição no Parlamento, representantes dos sindicatos, advogados críticos e instituições judiciais, jornalistas e estações de rádio, bem como por favoritismo e má gestão. Através de repetidas acusações de golpes de Estado e da cooperação militar com um grande número de países, Embaló instalou um regime militarizado que não tolera a dissidência, interpreta a Constituição de forma arbitrária, recusa o controlo parlamentar, ataca todos os direitos fundamentais e representa uma ameaça particular à liberdade de expressão e de imprensa”.

Para a organização sedeada na Alemanha com esta estratégia, Embaló arrisca-se “a um surto de violência, que até agora só foi evitado com grande dificuldade e na perspetiva de uma solução pacífica para a crise do poder”.

“ Os ânimos já estão exaltados na vida política do país por causa da data de expiração do mandato do Presidente, 27 de fevereiro de 2025. O próprio Presidente pretende se manter no poder, além do fim do seu mandato, o que de facto equivale a um golpe de Estado”, anotou.

A Associação Amilcar Cabral lamentou sucessivos adiamento das eleições legislativas e Presidenciais pelo Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, assim como “assalto ao Parlamento “ por uma deputada da nação, facto que disse “não ter sido problematizado nem pela União Europeia e nem pela Alemanha “.

“Existe agora o risco de que este golpe de Estado, aparentemente preparado, também se perca no caos político geral do país e não seja problematizado politicamente ou diplomaticamente nem pela Alemanha nem pela EU [ União Europeia]”, alertou.

Neste sentido, a organização chama atenção dos atores responsáveis do Estado e, em particular, dos (…)  parlamentares, tanto na Alemanha como na UE, para esta situação e exortá-los “a tomar as medidas adequadas para garantir que o Governo da Guiné-Bissau e o Presidente Sissoco Embaló, em particular, respeitem os princípios democráticos e parlamentares”.

Por CNEWS

21/02/2025