Opinião: Parem de aproveitar das nossas limitações

02/03/2025 em Opinião

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Opinião: Parem de aproveitar das nossas limitações

Há no meu país, li na es terra li,  uma narrativa pobre, mas estratégica com o objetivo de barrar/calar vozes críticas, mas sobretudo deixar fora de jogo, quem tem opinião sobre um determinado tema nacional, facto social, decisão ou proposta política. Qual é essa narrativa? 'Kila i política' buna fassi política'.  Ou seja, no meu país, um cidadão já não tem o direito de opinar sobre nada quer seja bom ou mau. Nos dias que correm, basta dizer que, a situação do país está mal, aparece uma pessoa a acusar-te de estares a fazer a política.  Ou seja, eu que pago os impostos, que dou a minha contribuição para que o Estado possa satisfazer as necessidades dos cidadãos, não posso opinar sobre as decisões e medidas que são tomadas sobre mim e demais guineenses!? Estranho! Mais estranho é quando associam essa narrativa as acusações. 'Abo i di tal fulano'. Ou seja, quando a democracia, por outras palavras é oportunidade e poder de cidadãos decidirem sobre opções existentes, há quem pensa que, um cidadão médio (independentemente da sua profissão) não pode exercer esse direito. Só burro pode pensar isso. Mas não é este o verdadeiro debate nesta narrativa.  O verdadeiro debate é saber se aqueles que acham que estão divinamente autorizados a fazer política, tiraram uma licenciatura ou algum curso para o efeito. A questão aqui é saber, como posso aceitar que a minha vida, o futuro dos meus filhos sejam decididos por quem não percebe minimamente dos fins/objetivos da política? Não pode ser. Não podemos vergar perante narrativas não só pobres, como perigosamente oportunistas, mas sobretudo tendenciosas com o objetivo de tirar proveitos, barrando opiniões capazes de ajudar na busca de soluções para os graves ate  'extremos' problemas do país. Como podem pensar que, eu não posso opor a uma proposta legislativa sobre a comunicação social; ou após analise comparativa, comentar plano de defesa e segurança; ou visão para o sector educativo no na atualidade e para os próximos 30 anos? Como?

Por isso, deve-se lutar, porque contrariamente a outras classes, o espaço político não dispõe de qualquer critério convencional de adesão para ser membro. O único 'critério' existente, para além de ser militante do partido é a competência e transparência e, os membros dessa classe, fazem tudo para que este assunto nunca seja objeto de debate. Não aceitam serem escrutinados pelas estruturas autorizadas tipo a comunicação social, sobretudo não prestam as devidas contas, como é de lei. Por isso, é importante, mas muito importante que, a inventada classe política (classe política só existe ficticiamente) perceba definitivamente que, a construção (reconstrução) de um país é luta de perspetivas e ideias contrárias, antagónicas, queria escrever. Não se pode barrar outros a participação imperativa no processo, através de pressões e chantagens, quando quem fica na arena/espaço, não goza de qualquer visão perspetiva de ajudar na melhoria.

Portanto quem faz a política na Guiné-Bissau aproveita das limitações de alguns cidadãos ou para mentir em nome da política ou para chantagear obrigando os outros a calarem.

Sabino Santos

Por CNEWS

02/03/2025