O MOVIMENTO NACIONAL DA SOCIEDADE CIVIL EM MAUS LENÇÓIS

20/03/2025 em Opinião

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O MOVIMENTO NACIONAL DA SOCIEDADE CIVIL EM MAUS LENÇÓIS

Durante o meu percurso universitário (de 2019 - 2023) tive privilégio de cursar várias disciplinas da grade curricular do meu curso, disciplinas estas que moldaram a minha compreensão em relação a realidade sociopolítica do meu país. Contudo, em Sociologia Política I e II, os temas dominantes sob discussões envolviam na altura sobre o pensamento político contemporâneo, ciência política, sociologia política, sociologia da política, movimento social e até mesmo a da sociedade civil, e ademais. Embora o termo sociedade civil ao longo da história tem sido debatido por vários pensadores nos séculos passados, entre os quais, preferencialmente pretendo trazer aqui, António Gramsci, Karl Marx e Habermas, cujas reflexões foram cruciais para o aprofundamento do termo. Por meio de todos esses pensadores, o seu conceito não teve uma única definição, porém pensa-se que a sociedade civil é um núcleo institucional constituída por associações e organizações independentes, não estatais e económicas, entretanto, apenas aquelas organizações voluntárias que constituem a base social das esferas públicas autónomas (HABERMAS, 1997, p. 99 apud TEIXEIRA (s/d) p. 170).

Apesar disso, nutri em mim uma ambição de aprimorar minha pesquisa académica sobre os conceitos supracitados, em específico, a sociedade civil, resultante do meu Trabalho de Conclusão de Curso.

Convém lembrar que atual Movimento Nacional da Sociedade Civil Para a Paz, Democracia e Desenvolvimento (MNSCPDD) da Guiné-Bissau, tem uma raíz histórica do seu surgimento. Segundo as informações coletadas no terreno durante a nossa entrevista com diferentes atores cívicos guineenses dentro e fora do próprio Movimento, relataram que esta organização foi fundada em pleno conflito político-militar de 7 de junho de 1998 em Quinhamel, por mais de duas dezenas de organizações sociais, para dar respostas a intensa situação caótica. Teve um papel determinante em expressar aquilo que era a vontade da sociedade guineense na altura.

Entretanto, no cenário atual, sobretudo nos últimos cinco anos da governação do país, mediante um círculo vicioso de atrocidades e violações da Constituição da República e dos Direitos Humanos, este mesmo Movimento não soube posicionar ao lado do povo marginalizado, muito menos da verdade (democrática), negado o direito de ser cidadão no seu próprio país. Suas posições sempre foram ambíguas que nos deixa com alguma margem de dúvidas. Perdeu aquela essência que nortearam a sua própria fundação. Portanto, esta organização não tem demonstrado tanta susceptibilidade para a resolução dos problemas que afectam a sociedade guineense, pois também tem tido falhas, longe de assumir a sua responsabilidade pública em relação a classe política, particularmente com o Estado. Dentre todas as instabilidades políticas que assolam a nossa sociedade, nomeadamente, a baixa renda dos funcionários públicos; a pobreza é cada vez mais visível; educação e saúde em situações não desejáveis; e o enriquecimento fácil por parte da classe política.

Perante todas essas situações durante todo esse período não teve a reacção (manifestação pública) do MNSCPDD para contrariar ou opor as crises políticas frequentes sobretudo a situação de má governação na Guiné-Bissau.

O mais agravante ainda, acima de tudo, é conivente do atual regime político do país (na próxima ocasião discutirei detalhadamente sobre o assunto).

Por estas, e de várias outras razões, leva-me acreditar que o MOVIMENTO NACIONAL DA SOCIEDADE CIVIL PARA A PAZ, DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO, precisa de uma mudança/reforma estrutural dos seus líderes. Esta mudança, sim, é possível!!! Apenas com a assunção de novos atores sociais para resgatá-lo e emergí-lo do poço a que se encontra. Se não for o caso, o pior há de vir.

Por Mussá Mamadú Sissé - Pseudo Tchiovvdiano Incontornável

Conforme marca o dia, a hora, o segundo, pelos vistos são dois mil e vinte e cinco.

Por CNEWS

20/03/2025