COLIDE-GB alerta para Transição política “atípica"

23/03/2025 em Política

Compartilhe:
COLIDE-GB alerta para Transição política “atípica"

O Partido da Convergência Nacional para a Liberdade e o Desenvolvimento ( COLIDE-GB) insiste na iniciativa do Diálogo Inclusivo Nacional por forma a “assegurar a gestão do país, durante essa fase de transição e permitir que todos os guineenses, se sentem à mesa para, em consensos alargados, definir e adotar uma agenda nacional para a saída da crise em que o país foi mergulhado”.

A proposta do COLIDE-GB consta do Comunicado à Imprensa tornado público este sábado, 22 de março, no qual a formação política dirigida por Juliano Fernandes ressalta que o país entrou “numa situação de transição política atípica”, isto é , de acordo com o partido da oposição “todas as decisões que têm sido tomadas, desde 28 de fevereiro de 2025, depois do fim do mandato do Umaro Sissoko Embaló, por ele, são, não só, inconstitucionais, como podem levar, mais cedo, ou mais tarde, à sua responsabilização por crime de usurpação de funções públicas, ou mesmo, por crime de alteração do estado de direito”.

“(…) Para que as próximas eleições possam ser credíveis e garantirem a confiança dos guineenses na democracia e entre uns e outros, é necessária à estabilidade e a governabilidade nos termos constitucional e legalmente estabelecidos. nenhum ator político que pretende candidatar-se a elas deve assumir responsabilidades políticas, administrativas e de gestão e nem deve ser ele a tomar quaisquer medidas e decisões que tenham, depois, repercussão nessas eleições, durante a fase de transição política em que estamos”, escreveu.

Os partidos políticos têm criticado as caducidade e ilegalidade dos titulares de Supremo Tribunal de Justiça, Conselho Superior da Magistratura Judicial e a Comissão Nacional de Eleições, assim como a violação de calendário eleitoral.

Para COLIDE-GB  “só no âmbito desse diálogo poderá o povo da Guiné-Bissau, (…) tomar medidas soberanas, legítimas e válidas, para resolver”  esses problemas, tendo defendido no Comunicado que “o diálogo inclusivo nacional em que todos estejam representados, sem preconceitos, sem ambições pessoais ou de grupos e sem agenda pessoal e todos convergidos a pensar, única e preferencialmente, nos interesses superiores da nossa terra e do seu povo, é a via mais privilegiada para o retorno à normalidade constitucional, o alcance da paz e a garantia da estabilidade sociopolítica. governativa e o crescimento económico duradouro”.

“Na justa medida em que se as próximas eleições forem realizadas de forma transparente, objetiva, isenta, credível, livre e democrática, os seus resultados serão mais fiáveis e confiáveis. E todos os aceitarão de bom grado e democraticamente. Se assim não for, nada adianta e nem vale o ex-presidente da república marcar eleições, de forma inconstitucional e ilegal, como o fez, o conselho superior da magistratura judicial estar a ser recomposto da forma ilegal, com vista a manipular as eleições no supremo tribunal de justiça, como o regime, ilegítimo, está a tentar forjar e fazer”, replicou, afiançando que caso for forjada “a continuação inconstitucional e ilegítima, no poder pelo ex-presidente da república que ainda ocupa o palácio da república, por via da força”, os resultados dessas eleições “serão roubados e manipulados, para manter no poder o atual ex-presidente, o seu governo e os seus apoiantes”.

O partido sem representação parlamentar é de opinião que  “os próximos anos significarão o prolongamento e o agravamento da instabilidade política e socioeconómica da Guiné-Bissau, a ingovernabilidade da nossa terra, o espezinhamento dos direitos, liberdades e garantias fundamentais, o desmoronamento dos pilares do estado de direito democrático, a pobreza, a divisão da sociedade guineense, baseada em critérios religiosos e étnicos”.

“Enfim, a ditadura e o despotismo vincarão e toda a pouca esperança e aspiração do nosso povo a uma vida melhor e próspera que ainda estão acalentadas, colapsarão. Será o fim do estado da Guiné-Bissau que o nosso povo, com valentia, à custa de sangue suor, lágrimas e luto, foi conquistar nas matas e proclamou nas colinas do Boé, a 24 de setembro de 1973”, lê-se, sublinhando ainda no Comunicado que “todo o ator político com intenção e interesse em se apresentar a essas eleições, como proponente, deve participar do diálogo inclusivo nacional, despido de todos os seus interesses pessoais e olhar, na busca de consensos que integrarão a agenda nacional para a saída da crise, com objetividade e com os olhos e pensamentos postos somente no interesse coletivo de todos e do país”.

O COLIDE-GB criticou aquilo que considera “deriva despótica e o desespero” do  regime “despótico Sissoquista” que aquando da sua presidência da CEDEAO, de acordo com o partido da oposição “ordenou, vergonhosa, desrespeitosa e tristemente, a saída do território nacional da missão da CEDEAO do nosso país”.

“Uma conduta indigna de quem dirigia o nosso país e o povo da Guiné-Bissau, respeitado no mundo pelos seus impactantes e exemplares feitos na luta pela independência e autodeterminação dos estados Apelar por fim, a comunidade internacional a intervir com carater de urgência no sentido de promover um diálogo inclusivo e a não abandonar este povo já por si só martirizado e amordaçado”, concluiu.

Por CNEWS

23/03/2025