Conto: O Imame e o Mistério da Sexta-feira

25/03/2025 em Crônica

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Conto: O Imame e o Mistério da Sexta-feira

No reino de Kansala, o imame era uma figura venerada e respeitada, um homem cuja sabedoria corânica e vastos conhecimentos espirituais eram conhecidos por todos. Sua palavra era buscada não apenas por questões de fé, mas também para resolver os conflitos domésticos que surgiam entre os casais. Quando um casal enfrentava dificuldades no lar, a tradição determinava que eles se dirigissem até o imame para buscar conselhos. Após ouvir as partes, o imame, com sua postura calma e serena, dava suas orientações, sempre buscando a harmonia no casamento. Segundo os costumes, ele também ficava com a esposa para oferecer conselhos mais aprofundados, guiando-a nas dificuldades de sua vida conjugal.

Embora esse costume fosse considerado normal na comunidade, com o tempo, muitas esposas começaram a olhar para o imame de forma diferente. Com o passar dos dias, algumas mulheres, que inicialmente buscavam apenas o conselho espiritual, passaram a repetir as visitas, alegando que as lições do imame precisavam ser reforçadas. Com isso, o respeito por seu estatuto social se solidificou ainda mais, e muitos começaram a se perguntar até que ponto sua sabedoria era movida por intenções puras.

No reino, havia um homem simples e não religioso, conhecido como Pipi. Ele era um trabalhador humilde, que extraía vinho de palma e ajudava o povoado com chabéu para cozinha. Embora Pipi não fosse um homem de Deus, todos o conheciam como uma boa pessoa, sempre disposta a ajudar. Ele vivia longe das práticas religiosas, de alguma forma, compartilhando seu tempo com os habitantes do povoado.

Certo dia, na sexta-feira, uma triste notícia chegou ao povoado: o imame falecera. O lamento tomou conta de todos, e muitos começaram a comentar que aquele dia, sendo uma sexta-feira, seria abençoado, pois o imame, um verdadeiro homem de Deus, havia partido. Logo após, outra notícia triste chegou: Pipi também falecera. Aparentemente, o homem não religioso, mas generoso, havia seguido o imame em sua última jornada.

Decidiu-se que as cerimônias fúnebres deveriam ocorrer naquele dia, já que, segundo as crenças populares, a sexta-feira era um dia abençoado. As duas covas foram preparadas, mas quando a comitiva chegou ao cemitério, o processo de sepultamento do imame foi interrompido por um fenômeno estranho: formigueiros enormes haviam tomado conta da sepultura. Tentaram mover o imame para outra cova, mas a situação se repetia: os formigueiros estavam em todo lugar ao redor do corpo do imame, enquanto a sepultura do Pipi estava completamente livre de formigas.

Diante dessa situação incomum, um dos presentes sugeriu que trocassem as sepulturas. Então, após vários tentativas, decidiram finalmente sepultar o imame na cova onde antes o corpo de Pipi devia ser posto, sem que houvesse mais problemas com os formigueiros. Contudo, o que mais surpreendeu a todos foi o fato de que, ao visitar a sepultura de Pipi, não encontraram formigas em nenhum momento. Aquilo parecia um sinal misterioso, como se algo maior estivesse acontecendo, algo que desafiava a explicação racional.

Com o tempo, a verdade sobre o imame começou a vir à tona. Descobriu-se que ele, na realidade, se envolvia com algumas das mulheres casadas que iam até ele em busca de conselhos. A hipocrisia de sua postura, disfarçada sob a capa de um homem de fé, foi revelada, e o reino começou a perceber que talvez o imame não fosse o ser santo que todos imaginavam.

A moral dessa história é clara: às vezes, a reverência que temos por certas figuras e autoridades pode nos cegar para seus erros e falhas. Mesmo aqueles que parecem ser exemplos de virtude podem esconder suas fraquezas, e, quando isso acontece, as consequências podem ser profundas. O verdadeiro valor de uma pessoa não está apenas em suas palavras, mas em suas ações e em como essas ações afetam a comunidade ao seu redor.

Retida dos ensinamentos do grande jornalista Bacar Tcherno Dolé

Produzido Por LETRADO IANGA

Por CNEWS

25/03/2025