Presidente da Liga denuncia “desproteção sistemática” dos menores

19/06/2025 em Direitos Humanos

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Presidente da Liga denuncia “desproteção sistemática” dos menores

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, deixou, nesta quinta-feira (19.06), várias questões à responder sobre os assassinatos das crianças, nos últimos tempos, no país.

“ E este país, se quiser ter futuro, não pode continuar a enterrar crianças - nem a enterrar com elas a verdade”, começou o Presidente da Liga, num longo texto publicado na sua página, de rede social,  Facebook .

Ture frisou que “ o que está a acontecer na Guiné-Bissau não são episódios isolados. São indícios de um país onde a infância está a ser assassinada em silêncio - e com a cumplicidade fria da indiferença. Não há investigações sérias. Não há esclarecimentos. Não há justiça. Há apenas o silencio e o luto”, disse o ativista dos direitos humanos.

Considerou, ainda, ser “ensurdecedor” por parte das autoridades nacionais perante tamanha “barbárie”, questionando  quem lucra com o medo, com a dor, com a impunidade.

“ Em março deste ano, uma criança foi encontrada esquartejada, sem órgãos vitais. Logo a seguir, em abril, na savana de Flack Ndeckté, setor de Tite, surgiram as ossadas de uma criança desaparecida há quase sete meses.  Em maio, uma criança de apenas um ano e meio foi encontrada morta em Bissorã, no norte do país. E em Junho, duas crianças foram encontradas mortas dentro de uma viatura abandonada, na cidade de Bissau — alegadamente por asfixia”, recordou o Turé, lamentando que “as famílias estão cansadas do luto".

Para o ativista dos direitos humanos existe “desproteção sistemática”, dos menores, facto que disse ser “um reflexo do abandono social em que a infância guineense vive”.

O Presidente da Liga Guineense afirmou que a Polícia Judiciária a mais “credível” instituição de investigação criminal do país “carece de tudo”.

Facto que segundo ele, as investigações destes casos não têm produzido qualquer resultado satisfatório.

“ […..] desde recursos humanos a meios materiais básicos, como viaturas.  Para agravar, a sua presença limita-se à cidade de Bissau, como se o resto do país simplesmente não existisse”.

Bubacar reforçou que” o que  está a acontecer na Guiné-Bissau não são episódios isolados. São indícios de um país onde a infância está a ser assassinada em silêncio - e com a cumplicidade fria da indiferença. Não há investigações sérias. Não há esclarecimentos. Não há justiça. Há apenas o silencio e o luto”.

Portanto, o Presidente da Liga concluiu que “ alguém dirá que o país não tem recursos para apetrechar a Polícia Judiciária com meios e pessoal. Mas não é verdade. Os meios existem - e até em abundância. O que falta é vontade política. O que existe é uma profunda crise de prioridades”.

Mussa Danso/CNEWS

Por CNEWS

19/06/2025